Você se lembra da noite de 21 de setembro?” É com essa pergunta que a canção “September“, da banda norte-americana Earth, Wind & Fire, começa. A faixa é um dos maiores sucessos da era disco, tocada até hoje em festas e baladas; mas por trás do ritmo agitado e da batida compassada, há uma história de amor. Um amor passado, que luta para ser lembrado. Provavelmente, uma música nunca se encaixou tão bem com a proposta de um longa quanto essa em “Talvez Uma História de Amor“, já em cartaz nos cinemas do país.

Produzido pela Chocolate Filmes e coproduzido pela Warner Bros. Pictures e FOX Film do Brasil, o filme marca a estreia de Rodrigo Bernardo como diretor, roteirista e produtor de um longa-metragem. Mesmo acumulando funções, o novato não derrapa na execução de seu projeto e oferece ao espectador uma agradável surpresa dentro do cenário cinematográfico brasileiro. Se é a primeira impressão que fica, então Rodrigo não tem com o que se preocupar, pois é seguro dizer que ele teve um belo início no mundo da sétima arte.

Livremente inspirado na obra homônima do autor francês Martin Page, a trama gira em torno de Virgílio (Mateus Solano), um publicitário de sucesso obcecado em manter tudo organizado, de objetos a relações humanas. Morador da cidade de São Paulo, ele leva uma vida metódica sem grandes surpresas na rotina, até que um dia, uma mensagem deixada em sua secretária eletrônica muda tudo. Uma voz feminina misteriosa, que se apresenta como Clara, avisa que está terminando seu namoro com Virgílio. Porém, ele não se recorda de nenhuma Clara!

Confuso, perdido e desconcertado, ele procura ajuda psicológica para descobrir quem é essa mulher; afinal, não é possível esquecer completamente apenas uma pessoa. Ou é? Aos poucos, Virgílio percebe que todos seus amigos e colegas de trabalho sabiam do seu relacionamento de algum modo, menos ele mesmo! Decidido a resolver este mistério, que há poucos dias nem tinha conhecimento mas agora se vê assombrado por ele, Virgílio parte numa busca atrás daquela que pode ser o grande amor de sua vida.

Ainda que seja vendido como uma comédia romântica, o longa poderia ser apenas categorizado como um romance, e dos bons! Há alguns momentos cômicos que certamente o farão rir, mas é nítido que essa não era a única intenção do diretor. Aqui, o riso surge de maneira espontânea, fruto de algumas situações nada corriqueiras! Original, a premissa é atraente e bem desenvolvida. Por mais que os materiais promocionais do filme tenham entregado a tal mulher misteriosa (fique longe deles!), o roteiro consegue manter o mistério até o fim.

O roteiro também é o responsável por trazer à tona as camadas da personalidade de Virgílio de uma maneira incomum. Enquanto segue a trilha de pistas que prometem levar até Clara, ele reencontra mulheres que passaram por sua vida e, de algum modo, estão conectados com sua ex desconhecida. É a partir dessas interações que, este personagem outrora superficial, ganha contornos e formas. Tudo ganha uma justificativa e todas as pontas soltas que o enredo deixa no primeiro ato, são rapidamente costuradas à narrativa principal.

Importante destacar a excelente performance do elenco como um todo, principalmente as atrizes Totia MeirellesBianca Comparato e Cynthia Nixon, que conseguiram contribuir com a história de modos únicos. Graças a boa direção de Rodrigo Bernardo, nenhum destes grandes nomes conseguiu desviar o foco do espectador da trama central e da performance de Mateus Solano. Aliás, como é bom ver um bom ator em tela! Solano é dono de um talento monstruoso, e aqui, como em outros trabalhos, estava impecável em sua atuação.

Do ponto de vista técnico, não há do que reclamar. Belas locações (o MASP e a Times Square, por exemplo), ótima fotografia e montagem dos planos, disposição dos objetos em cena, cores, trilha sonora… Cada pequeno detalhe é um exemplo do cuidado gigante que a produção teve com o filme! Mas como nem tudo são rosas, o filme se apega a clichês narrativos do gênero durante o terceiro ato. Tais vícios de linguagem não atrapalham a experiência como um todo, mas poderiam ser evitados. De qualquer modo, como diz a canção da banda Earth, Wind & Fire, “Talvez Uma História de Amor” serve para nos lembrar do amor.

NOTA: 8,5


Direção: Rodrigo Bernardo;
Duração: 1h45;
Gênero: comédia romântica;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: A melhor maneira de não terminar uma história de amor é não começá-la. Assim pensa Virgílio, vivido por Mateus Solano na comédia romântica nacional Talvez uma História de Amor. Um personagem metódico, que busca controlar sua vida de todas as maneiras, mesmo nos mínimos detalhes. Até que um recado deixado em sua secretária eletrônica por uma mulher o desconcerta: Clara está terminando com ele, não é mais possível continuar o relacionamento dos dois. E desliga. No entanto… quem é Clara? Virgílio não se lembra dela, nem de ter se relacionado com ninguém. Os amigos comentam, os colegas de trabalho perguntam, todos de alguma forma sabiam da relação dos dois, menos ele. A partir daí, Virgílio parte em busca de encontrar essa mulher misteriosa e talvez, o amor da sua vida.

Trailer:

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