Desde pequena ela sabia que o palco era o seu lugar. Nascida e criada numa família artística, não teria como ser diferente; porém, enquanto o pai e a irmã optaram pela carreira musical, foi como atriz que ela encontrou seu espaço sob o brilho dos holofotes! Aos 8 anos de idade (isso mesmo, oito anos!), iniciou seu primeiro curso de teatro. Depois, acabou se afastando um pouco, mas aos 12, voltou a interpretar personagens no teatro amador do colégio. Ainda que sua conexão com a arte da atuação fosse forte, nessa época ela ainda relutava tal posição por conta de sua liberdade. Foi só quando teve a chance de tornar sua vocação nata em algo profissional durante a faculdade que Camilla Camargo se entregou de vez ao ofício de atuar!

Eu já parei pra pensar mas é engraçado, eu não consigo me ver fazendo outra coisa. É realmente uma profissão que eu amo muito“, revelou a atriz em entrevista exclusiva para o Primeira & Sétima Arte! Com mais de 20 peças, três novelas, três filmes e uma série de comédia no currículo, Camilla relembra as dificuldade de início de carreira. “Até você conseguir saber onde tem teste, como faz para fazer as peças, até o ponto de você ser chamada para fazer a peça, é um caminho difícil“, explica. “Você precisa ir atrás, precisa frequentar teatro e mergulhar nesse mundo mesmo, pra conhecer as pessoas e as oportunidades começarem a aparecer“, completa.

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Entre seus maiores projetos estão os musicais “Zorro“, que protagonizou ao lado do ator Jarbas Homem de Melo, “Shrek, o Musical” e “Enlace – A Loja do Ourives“; as novelas “Em Família“, da Rede Globo, e “Carinha de Anjo“, do SBT; e o longa “Travessia“, do diretor João Gabriel. Com tanta experiência assim, a atriz revela que não tem preferência em atuar num filme, novela ou peça de teatro. “Eu tenho preferência por personagens que me desafiam, e não pelo meio, porque consigo de verdade ver coisas que gosto em cada um deles“, afirma. “Eu amo a questão de lidar ali com o ao vivo, aquela coisa fresca do teatro. Por outro lado, a TV tem um dinamismo e alcance que também me encanta. Eu sou formada em Rádio e TV, né, então eu gosto desse outro lado da câmera. E o cinema é incrível“, pontua.

Disposta a encarar novos desafios, Camilla comenta que não existe personagem fácil, mas também não faz cerimônia sobre quem gostaria de interpretar! “Desde o mais clichê, como personagens vilãs, que eu acho que toda atriz gosta de fazer, quer fazer algum dia na vida, até personagens bem distintos comigo, sabe? Eu tenho muito fascínio por personagens de época, de poder estudar e viver uma outra cultura. De repente fazer um personagem egípcio, que é uma cultura que me encanta! Tem várias coisas que eu amaria fazer“, conta empolgada! Além disso, a atriz também diz que não teria problemas em mudar seu visual por um personagem, desde que fosse uma mudança necessária para a história. “Eu cortaria o cabelo, rasparia, mudaria cor, engordaria, emagreceria; enfim, o que for preciso, meu corpo está completamente à disposição da personagem“, declara.

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Atualmente em cartaz com a peça “Divórcio” no Teatro Folha, em São Paulo, Camilla também poderá ser vista nas telonas este ano quando “Intervenção” estrear. Dirigido por Caio Cobra à partir de um roteiro de Rodrigo Pimentel, o longa de ação revela os bastidores das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora – e o conflito das políticas públicas na área de segurança do Rio de Janeiro. Na trama, ela vive a repórter Luiza Bastos. “É uma participação só, mas eu fiquei muito feliz pelo convite que me foi dado“, diz. Após as filmagens, a atriz foi convidada a conhecer o BOPE, o que segundo ela, serviu para ampliar sua visão à respeito do trabalho destes profissionais. “Eu já estava gravando numa favela pacificada, que é a Tavares Bastos, onde o BOPE fica, e poder ver esse outro lado é muito legal! Entrar numa favela que realmente existe a paz, que as pessoas exercem o direito de ir e vir sem medo, com segurança, que é o mínimo que cada cidadão merece.”

Com lançamento marcado para o dia 04 de setembro, “Intervenção” estava previsto anteriormente para estrear em novembro passado. Quando questionada sobre as dificuldades de se produzir um filme no Brasil e as razões que levam o público a optar por estreias internacionais, Camilla entende que essa é uma questão cultural. “É uma coisa de conceitos antigos enraizados, sabe? Tinha-se uma visão muito fechada e pobre do que era o cinema nacional, e o cinema nacional é o contrário, é muito rico, muito diverso, e está cada vez mais produtivo“, opina. “A gente precisa incentivar o cinema nacional porque é nosso, é nossa cultura, gera empregos para milhões e milhões de pessoas. As produções nacionais estão cada vez mais lindas! A gente não perde em nada para o que está lá fora, principalmente em questão de conteúdo, qualidade, história e texto“, completa.

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A atriz ainda defende que é preciso haver espaço nas salas de cinema entre as produções apelidadas de ‘blockbusters’ e ‘cults’. “Ninguém é uma coisa só o tempo inteiro, então o cinema tem que refletir isso. Tem espaço para os blockbusters, e tem que ter porque é divertido, entretém as pessoas, que é a principal função de tudo; e tem que ter também os filmes que te tragam uma reflexão, que te fazem questionar algumas coisas, que te fazem sair da sua zona de conforto“, argumenta. Amante dos serviços de streaming como Netflix e Amazon Prime, Camilla não dispensa uma ida ao cinema com direito a pipoca e tudo! “Pra mim é uma magia e não se compara“, diz convicta! Ela ainda comenta que de fato existe uma tendência das pessoas ficarem mais em casa pela facilidade de acesso ao conteúdo, mas que não acredita que isso irá acabar com o cinema físico. “Tudo vai meio que se adaptar igual o rádio se adaptou a televisão“, explica.

Ainda falando sobre a sétima arte, Camilla contou quais são suas grandes inspirações na área! “Eu gosto muito da Meryl Streep e da Liza Minnelli. Aqui no Brasil eu gosto muito da Lília Cabral e amo a Cyria Coentro. Tem mais, óbvio, mas essas eu gosto muito!“, declarou. Na hora de escolher seu filme favorito, a atriz teve um pouco de dificuldade em dizer apenas um, então soltou o nome de vários que adora! “Não tem como eu dizer que eu não amo ‘Dois Filhos de Francisco’, independente de ser a história da minha família“, diz ela aos risos, antes de continuar a lista. “‘Como Nossos Pais’ é um atual que eu gostei muito. ‘Bingo’ também. ‘À Espera de Um Milagre’, ‘Grease – Nos Tempos da Brilhantina’, ‘Incêndios’, ‘Poderoso Chefão’… Eu sou apaixonada por Woody Allen e não falei nenhum! ‘Poderosa Afrodite’. Vai, falei alguns! É muito difícil escolher um só, não dá.” A gente te entende, Camilla!

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