Quando o presidente do seu país afirma que o Holocausto é algo passível de perdão, ele está totalmente equivocado. Simplesmente não há como perdoar esse genocídio; e já nos primeiros 10 minutos de “Sobibor“, o representante da Rússia no Oscar 2019 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro consegue nos mostrar o que de pior aconteceu nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

Estrelado e dirigido por Konstantin Khabenskiy, o filme foi baseado na história real de Alexander Pechersky, um judeu que conseguiu organizar uma fuga e libertou inúmeros prisioneiros de um campo de concentração na Polônia. Apenas pela premissa já dá pra perceber que este é um longa pesado, que naturalmente evoca revolta e sentimentos como angústia e tristeza no público.

Imagem: divulgação

Sobibor” é um filme que te fará sair do cinema, no mínimo, pensativo e abalado. Isso porque Khabenskiy opta por não evitar nenhuma cena que envolva tortura ou morte. Logo no início temos um exemplo claro, no qual ele escolhe mostrar, sem nenhum corte, mulheres nuas sendo submetidas a um “banho”, ou seja, a uma câmera de gás, prática comum que era utilizada pelos nazistas para assassinarem judeus. Importante dizer que, já nessa cena, praticamente todo o elenco feminino do filme é eliminado.

Sobre os personagens, infelizmente nenhum é bem desenvolvido, e talvez este seja o grande ponto fraco da obra. Ambientado num campo de concentração, muitos personagens são introduzidos, mas o roteiro peca em não explorá-los com a devida importância, e ao não criar alguma empatia com os heróis. Ademais, o motim organizado pelo personagem principal é mal construído. Além de ser repleto de clichês, praticamente todos os envolvidos, sem nenhuma explicação prévia, parecem já saber o que devem fazer para que a fuga seja bem-sucedida.

Imagem: divulgação

Outro ponto questionável do filme é o idioma utilizado pelos personagens. É uma verdadeira combinação de diversas línguas, como polonês, alemão. ucraniano, inglês e outros. Talvez a produção tenha achado legal essa mistura pelo fato do elenco ser composto por atores de diversos países, no entanto, se tornou uma verdadeira bagunça.

O que merece ser destacado em “Sobibor” é a sua parte técnica. Além de contar com uma ótima edição e mixagem de som, algo que poderia até ser cogitado a uma indicação ao Oscar, a trilha sonora também é outro ponto positivo. Algumas das cenas mais emblemáticas da película não contam com nenhum diálogo, apenas músicas instrumentais que criam uma grande tensão para quem está assistindo. A fotografia e a direção de arte ainda são essenciais. Optando por usar apenas cores frias, o filme consegue passar a sensação de morte e luto. Por fim, apesar de seus altos e baixos, “Sobibor” consegue retratar como o Holocausto foi uma das piores coisas que já aconteceu na história da humanidade.

NOTA: 6,0


Direção: Konstantin Khabenskiy;
Duração: 1h50;
Gênero: drama, guerra;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: Alexander Pechersky, um prisioneiro de guerra no campo de exterminação de Sobibor, organizou uma revolta que deu oportunidade para o escape em massa dos prisioneiros do campo. Apesar de muitos dos fugitivos terem sido capturados novamente, Pechersky liderou os que restaram à se juntarem aos partisans.

Trailer:

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