Em 1983, Stephen King lançava um livro cujo principal tema era a discussão de que provavelmente não valia a pena trazer os mortos de volta à vida. Seis anos depois, uma adaptação cinematográfica deu vida, literalmente, a essa história. Porém, quando Hollywood tenta “ressuscitar” alguma ideia não original com um remake ou reboot, normalmente a coisa não dá muito certo, mas há as raras ocasiões em que isso pode funcionar.

Agora em 2019, os diretores Kevin Kölsch e Dennis Widmyer trazem uma nova versão de “Cemitério Maldito“, uma dos clássicos de King, considerado o mestre do terror na literatura. Trazendo para as telonas toda a atmosfera sinistra e sobrenatural do livro, o filme se mantém fiel à obra original ao mesmo tempo em que prepara algumas surpresas para os que já conhecem a trama.

Imagem: divulgação

No enredo, Louis (Jason Clarke) e Rachel Creed (Amy Seimetz) se mudam com os dois filhos para uma casa isolada na floresta, buscando um pouco de paz e um recomeço para a família. Escondido na mata atrás da casa, eles descobrem um antigo cemitério para animais de estimação, e um pouco adiante, há ainda um lugar desolado cuja terra parece ter o poder de ressuscitar os mortos.

Lidar com a morte é sempre um assunto complicado, especialmente para os Creed, por causa de um evento traumático do passado. Portanto, quando Church, o gato de estimação da família, morre atropelado, o casal teme que a filha Ellie (Jeté Laurence) não consiga aceitar a perda. É aí que Jud (John Lithgow), vizinho da família, leva Louis até o local sobrenatural para que o animal seja enterrado lá. Mas ao retornar para casa, o bichinho já não é mais o mesmo de antes.

Imagem: divulgação

A partir daí, Louis passa a ter que lidar com um dilema: aceitar a morte do gato ou deixá-lo viver com a família ainda que ele pareça representar uma ameaça a eles? Mas quando Ellie sofre um terrível acidente, ele deixa de lado qualquer preocupação para retornar mais uma vez ao cemitério e tomar uma decisão da qual irá se arrepender.

Como a maioria das histórias baseadas em obras de King, a trama de “Cemitério Maldito” foca muito mais em seus personagens do que apenas no terror. São os dramas interiores e as bagagens emocionais dos personagens que justificam suas decisões e definem suas relações com os aspectos sobrenaturais que os cercam, e não o contrário.

Imagem: divulgação

A subtrama de Rachel, por exemplo, com todo seu sentimento de culpa pela morte da irmã mais velha, é um enredo interessante por si só, mas também ajuda a criar algumas das melhores cenas de tensão do filme. E é justamente a maneira como esses personagens encaram a morte que se torna a força que puxa o filme em seu conflito inicial, apesar de acabar ficando mais de lado no terceiro ato, quando o terror toma conta da narrativa para proporcionar o clímax catártico que os espectadores esperam.

Toda a atmosfera de tensão e suspense criada é bem eficaz, passando ao público a sensação de que os personagens nunca estão verdadeiramente sozinhos. E os visuais e sons fantasmagóricos, principalmente nas cenas que envolvem a floresta e o cemitério, também ajudam na construção do clima e remetem a clássicos do terror como “O Exorcista“, de 1973 e “Poltergeist“, de 1982.

Imagem: divulgação

Os atores Jason Clarke e Amy Seimetz estão ótimos como o casal Louis e Rachel, mas é sem dúvida a pequena Jeté Laurence que, na pele de Ellie, rouba a cena e consegue transformar uma garotinha pela qual é impossível não se afeiçoar, por uma que é impossível não temer!

O remake de “Cemitério Maldito” não impressiona ou inova tanto a ponto de entrar para a lista dos clássicos filmes de terror, mas faz juz aos trabalhos do mestre King com uma atmosfera sólida de terror sobrenatural, ótimas atuações, e discussões mais humanas que transcendem o gênero.

NOTA: 8,0


Direção: Kevin Kölsch e Dennis Widmyer;
Duração: 1h41;
Gênero: Terror;
Classificação Indicativa: A definir;
Sinopse: A família Creed se muda para uma nova casa no interior, localizada nos arredores de um antigo cemitério amaldiçoado usado para enterrar animais de estimação – mas que já foi usado para sepultamento de indígenas. Algumas coisas estranhas começam a acontecer, transformando a vida cotidiana dos moradores em um pesadelo.

Trailer:

COMPARTILHE

Deixe uma resposta