A consagrada atriz Judi Dench vive uma britânica acusada de traição por seu passado como agente russa em “A Espiã Vermelha“, do diretor Trevor Nunn. Diferente de seu trabalho como M na franquia de ação “007“, uma de suas personagens mais icônicas, a estrela troca a ação hollywoodiana por um drama da vida real ao interpretar Joan Stanley, baseada na história de Melita Norwood, que já tinha mais de 80 anos de idade quando foi acusada de revelar segredos de estado à União Soviética durante a 2ª Guerra Mundial.

O filme acompanha dois períodos da vida da personagem. Em 1938, uma jovem Joan (Sophie Cookson) estudava física em Cambridge quando se apaixonou pelo jovem comunista Leo (Tom Hughes), que passou a influenciá-la com seus ideais revolucionários. Pouco tempo depois, Joan consegue um emprego com uma equipe responsável pelo desenvolvimento de uma bomba nuclear, e logo começa a revelar informações privilegiadas aos russos sobre o projeto. Paralelamente, mais de cinquenta anos depois, uma investigação do governo britânico acaba chegando até Joan, e ela é acusada de traição contra seu país.

Imagem: Nick Wall

Baseado em uma história real, “A Espiã Vermelha” traz uma premissa interessante e inexplorada sobre o período de guerras; mas apesar da originalidade, o filme sofre com uma narrativa extremamente arrastada que vai e volta entre passado e presente, e demora para realmente chegar a algum lugar. A ideia de começar e terminar o filme mostrando Joan muitos anos depois é interessante, mas fica claro que a escolha do diretor em alternar constantemente entre os dois períodos foi muito mais uma maneira de dar mais tempo de tela para Judi Dench do que qualquer outra razão.

Várias das cenas da atriz são muito curtas e não parecem ter muito propósito na trama a não ser alongar a história. É claro que, como era de se esperar, mesmo com pouco tempo de tela a atriz brilha naturalmente, até nos momentos em que sua presença não é totalmente necessária para a história, e traz uma carga maior de dramaticidade para uma personagem que, aos 80 anos de idade, sente o peso dos segredos que escondeu a vida toda e das escolhas que a levaram até onde chegou.

Imagem: Nick Wall

Sophie Cookson faz um trabalho razoável como a jovem Joan no período da 2ª Guerra, apresentando a transformação da personagem ao passar pelos eventos que mudaram para sempre sua vida. No entanto, a atriz não possui carisma suficiente para segurar essa parte da história, que é a maior. Da mesma maneira, nada no roteiro é muito interessante ou chamativo para prender a atenção do público no que deveria ser o foco da narrativa.

O enredo também foge de temas mais complexos envolvendo política e as guerras, mas termina com uma mensagem interessante que talvez possa abrir uma discussão sobre escolhas morais em tempos de crise. Ainda assim, no final, “A Espiã Vermelha” desperdiça sua premissa intrigante e uma das maiores atrizes de Hollywood em uma história demasiadamente inexpressiva.

NOTA: 6,0


Direção: Trevor Nunn;
Duração: 1h42;
Gênero: drama;
Classificação Indicativa: 14 anos;
Sinopse: Em 1938, a britânica Joan Stanley estudava física em Cambridge quando se apaixonou por um jovem comunista. Na mesma época, ela foi convocada pelo Comitê de Segurança Russo (KGB) para atuar como espiã do Governo de Stalin no Reino Unido. Depois de mais de cinquenta anos de serviço muito bem sucedidos, ela foi descoberta e presa pela Serviço de Inteligência Britânico (MI5).

Trailer:

COMPARTILHE

Deixe uma resposta