Em 2014, um dos maiores e mais populares monstros da cultura japonesa invadiu os cinemas de todo o mundo, deixando para trás um rastro de destruição e alta bilheteria! Dirigido por Gareth Edwards, o longa atraiu o olhar de uma nova geração de fãs e trouxe novos ares para a criatura, que apesar de se manter firme no imaginário popular desde sua primeira aparição em 1954, não estava tão em alta no cenário pop ocidental.

Dado o tamanho do sucesso, a Warner Bros. Pictures decidiu investir num universo compartilhado de monstros, lançando posteriormente, em 2017, “Kong: A Ilha da Caveira“, e agora em 2019, “Godzilla II: Rei dos Monstros“. Além disso, já está agendada para o ano que vem a estreia de Godzilla vs Kong“, que teve suas filmagens iniciadas no ano passado. No entanto, antes dos titãs se encontrarem, é preciso pavimentar o caminho e expandir a mitologia deste universo de gigantes!

Imagem: divulgação

Sob a direção de Michael Dougherty (“Krampus: O Terror do Natal“), que também assina o roteiro ao lado de Zach Shields, esta sequência é ambientada cinco anos após os eventos do primeiro filme, num mundo onde os seres humanos precisam descobrir um meio de coexistir – e sobreviver – aos titãs que, outrora, governavam o planeta. E é no meio dos destroços das lutas destes monstros que conhecemos nossos protagonistas.

Apesar de terem sobrevivido à tragédia de São Francisco, o filho mais novo do casal Emma (Vera Farmiga) e Mark Russell (Kyle Chandler) não teve a mesma sorte. Separados desde então, Emma entrou para o projeto Monarch e, ao lado da filha Madison (Millie Bobby Brown), estuda as criaturas que não param de surgir. Porém, um ecoterrorista com planos de restabelecer o equilíbrio natural do planeta pretende libertar os mais poderosos monstros que estão sob controle da Monarch, e para isso, precisará de um aparelho criado por Emma capaz de se comunicar com os mais diferentes titãs!

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Na tentativa de corrigir as duas maiores reclamações do público e crítica à cerca do primeiro filme (no caso: a ausência de personagens relevantes e a demora em apresentar por completo o monstro que dá título a película), “Godzilla II: Rei dos Monstros” entrega um espetáculo visual condizente com o tamanho de suas criaturas, mas que perde força ao se apoiar num roteiro simplório entupido de personagens desnecessários e clichês.

Assim como na maioria dos filmes de ficção científica, temos ao decorrer do primeiro e segundo ato situações cujas as quais nos acostumamos a ver e rever na telona: o governo tentando controlar algo que não consegue, militares dispostos a resolver tudo na briga, cientistas preocupados com o bem-estar das criaturas, e por aí vai. Diferente do longa de 2014, neste os seres-humanos estão mais no foco das câmeras, tendo maior impacto e presença no desenrolar da trama.

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No entanto, se olharmos além do núcleo da família Russell, veremos apenas rostos que são completamente dispensáveis e esquecíveis. Não se surpreenda, por exemplo, se ao sair da sessão você não lembrar do nome de algum cientista, militar, ou até mesmo do vilão. Ainda que se façam presentes em quase todas as cenas, eles não tem profundidade e carisma suficientes para manter o interesse da plateia. Um dos maiores erros do filme é não aproveitar o talento da atriz Sally Hawkins, mais ignorada aqui do que no primeiro longa. Porém, o ponto mais decepcionante é justamente o que atrai o público para o cinema: os monstros.

Se em 2014 a queixa era de que Godzilla demorava para aparecer por completo (embora houvesse uma excelente construção de suspense até que ele rompesse na tela), dessa vez os titãs desfrutam de poucos momentos genuínos em destaque, tendo as melhores sequências de suas batalhas entregues nos trailers. Muito do tempo que poderia ser usado por eles é perdido em diálogos arrastados dos seres humanos. A mixagem de som bagunçada também dificulta a criação de um clima de tensão, obstruindo até a trilha sonora. Felizmente a grandiosidade dos monstros, seus visuais bem feitos e a linda paleta de cores enchem nossos olhos, e mantém alto o interesse neste universo (que torcemos para ter menos humanos e maior foco nos titãs daqui em diante).

P.S.: há cena pós-créditos. Não saia do cinema até que todas as letrinhas tenham subido na tela!

NOTA: 7,0


Direção: Michael Dougherty;
Duração: 2h12;
Gênero: ação, ficção científica;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: O longa acompanha os esforços heroicos da agência cripto-zoológica Monarch à medida que seus membros enfrentam uma sequência de monstros gigantescos, incluindo o poderoso Godzilla, que luta contra Mothra, Rodan e seu arqui-inimigo de três cabeças, King Ghidorah. Quando estas criaturas milenares – que se acreditava serem mitos – ressurgem, elas lutam pela supremacia, colocando em risco a existência da humanidade.

Trailer:

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