Rocketman” não é uma cinebiografia comum, como é o caso de “Somos Tão Jovens“, sobre a vida de Renato Russo, e “Johnny & June“, sobre o cantor Johnny Cash. Longe disso, o filme sobre a vida e a carreira de Sir Elton John, um dos maiores artistas de todos os tempos, é um verdadeiro musical, algo incomum quando temos músicos sendo retratados na sétima arte. Na verdade, o longa mistura os gêneros drama, musical e fantasia!

Tendo como ponto de partida os anos 1990, o filme começa com Elton John (Taron Egerton) em um grupo de apoio aos Alcoólicos Anônimos. Lá, ele revela todos os seus podres e começa a contar sobre sua vida, desde a infância até aquele momento. Assim, somos apresentados ao tímido Reginald Dwight (que só na juventude mudaria seu nome para Elton Hercules John), acompanhamos o relacionamento mega conturbado com seus pais, suas primeiras turnês como pianista de apoio para cantores de soul, sua parceria com o seu melhor amigo, Bernie Taupin (Jamie Bell), a gravação de seu primeiro hit, “Your Song“, alguns dos shows mais lendários do músico, como os que aconteceram no Troubadour e no Dodger Stadium em Los Angeles, e, como em boa parte de sua vida, se sentiu solitário e inseguro.

Imagem: divulgação

Por se tratar de um musical, não vemos o processo de criação dos seus maiores sucessos. Eles aparecem em momentos específicos para complementar as cenas e os sentimentos dos personagens. Temos também sequências épicas, que pendem mais para a fantasia do que a realidade. Destaque para as cenas envolvendo as faixas “Crocodile Rock” e “Saturday Night’s Alright (For Fighting)“.

Na pele do músico britânico, Taron Egerton está perfeito e merece um parágrafo só para ele! O ator, que impressionou Elton John, entrega uma performance emblemática, cheia de expressões e com um sorriso idêntico ao artista. Importante ressaltar que ele fez questão de cantar todas as músicas, e se saiu muito bem! Certamente é o papel de sua vida, e é claro que terá uma indicação ao Oscar 2020. Resta saber, entretanto, se a Academia terá coragem de premiar, por dois anos seguidos, atores que interpretaram cantores.

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Mas não é só Taron que brilha, todo o elenco merece aplausos. Aliás, todos cantam! Sim, todos os personagens principais cantam pelo menos um pouquinho, algo muito interessante. Jamie Bell se sobressai interpretando o principal colaborador e amigo de longa data de John, Bernie Taupin (que desde jovem escreve canções com o artista). Richard Madden na pele de John Reid, ex-amante e ex-empresário do músico, também consegue ótimas cenas ao lado de Egerton. Por fim, Bryce Dallas Howard, Steven Mackintosh e Gemma Jones, sendo os pais e a avó de Elton, trazem performances impactantes. Destaque para Mackintosh, interpretando um pai rígido e sem coração, como era, de fato, o pai do protagonista; e Bryce, sendo a mãe de Elton que sempre o esnobou e nunca deu o devido valor ao seu filho. Vale ainda destacar os atores mirins, que estão iguais ao que era o artista em sua infância.

Em níveis de comparação, o longa é o oposto de “Bohemian Rhapsody“, lançado no ano passado e que fez bastante sucesso na edição deste ano do Oscar. Diferente da cinebiografia do Queen, que trata a homossexualidade e os problemas de drogas envolvendo Freddie Mercury de maneira superficial, em “Rocketman” não são apenas mostrados, mas como o próprio Elton John fez questão que todos os seus problemas envolvendo bebidas, remédios, drogas, polêmicas e sua homossexualidade tivessem o devido destaque. Assim, temos a estrela no topo das paradas e, mais tarde, no fundo do poço.

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Porém, a carreira do artista é tão grande que muitos detalhes ficaram de fora, como a paixão por futebol de John, que praticamente não é falada (ele já foi dono de um time, só para ter ideia); o casamento de fachada dele com Renate Blauel, que é retratado em pouquíssimas cenas; a ausência no filme de Gus Dudgeon, que produziu inúmeros hits ao lado dele, e o afastamento do cantor com John Reid, que sem mais nem menos, desaparece do filme.

Outro ponto negativo são os efeitos especiais. Não por completo, mas em alguns momentos, eles são poucos inspirados e fracos, incompatíveis com o filme em si. No entanto, os aspectos técnicos de edição, mixagem de som e a direção de Dexter Fletcher merecem ser elogiados. O diretor consegue capturar brilhantes cenas musicais com excelentes planos sequência. Além disso, junto com o roteirista Lee Hall, recria épicos shows e videoclipes de forma praticamente idênticas ao trabalho original de John. Os famosos e chamativos figurinos do artista britânico também marcam presença.

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Ao final da projeção, é difícil dizer que faltou alguma música. Talvez uma ou outra não tenham tido uma performance, mas pelo menos o título na tela apareceu. Além disso, o fato do filme se encerrar nos anos 1990 compromete as canções que foram compostas após essa época.

Nos instantes finais do longa, temos o último ponto que pode incomodar. Durante as duas horas do filme passam-se muitos anos, logo, espera-se que no fim apareça uma versão mais velha de Elton, mas pelo contrário, ele termina com uma aparência bem jovem, sendo até um pouco estranho. Dito isso, “Rocketman” não é uma cinebiografia perfeita, mas certamente faz jus a vida e a carreira de um dos maiores artistas de todos os tempos.

NOTA: 8,0


Direção: Dexter Fletcher;
Duração: 2h01;
Gênero: musical, drama, fantasia;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: A trajetória de como o tímido Reginald Dwight (Taron Egerton) se transformou em Elton John, ícone da música pop. Desde a infância complicada, fruto do descaso do pai pela família, sua história de vida é contada através da releitura das músicas do superstar, incluindo a relação do cantor com o compositor e parceiro profissional Bernie Taupin (Jamie Bell) e o empresário e o ex-amante John Reid (Richard Madden).

Trailer:

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