O caminho percorrido por “X-Men: Fênix Negra“, desde o início de sua produção até seu lançamento nas telonas, não foi dos mais fáceis. Dirigido por Simon Kinberg, o longa teve sua estreia nos cinemas adiada duas vezes (a previsão original era novembro de 2018), passou por várias refilmagens, precisou alterar alguns pontos no roteiro para evitar comparações com “Capitã Marvel“, além de ter sido vítima de diversos vazamentos e rumores espalhados em “sites de notícias”.

Agora, após todos estes problemas que deixaram os fãs da franquia de cabelo em pé, o capítulo final da jornada mutante pelas mãos da 20th Century Fox chega nesta quinta-feira (06) nas telonas de todo o país; e diferente do que muito se temia e especulava online, o filme não é um fiasco e tampouco o pior da saga! Na verdade, “X-Men: Fênix Negra” consegue surpreender e, como uma verdadeira fênix, ressurgir das cinzas de comentários negativos que haviam sido lançados sobre a produção antes mesmo de sua estreia.

Imagem: divulgação

Ambientado em 1992, o filme é focado em Jean Grey, interpretada mais uma vez por Sophie Turner. Numa época onde os X-Men estão em alta com a opinião pública, o Professor Charles Xavier (James McAvoy) não exita em enviar sua equipe para duras missões de salvamento. Porém, durante o resgate de astronautas no espaço, Jean quase morre ao ser atingida por uma misteriosa força cósmica. Quando volta para casa, essa força não só a torna infinitamente mais poderosa, mas muito mais instável.

Lutando contra essa entidade dentro de si, Jean desencadeia seus poderes de maneiras que ela e nem ninguém pode compreender ou conter. Fora de controle e ferindo aqueles que mais ama, ela começa a desvendar a linha que mantém os X-Men juntos. Agora, com esta família desmoronando, eles devem encontrar uma maneira de se unir, não apenas para salvar a alma de Jean, mas para salvar nosso próprio planeta de alienígenas que desejam se armar com essa força e governar a galáxia!

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Guiado por um clima de tensão que perpetua do primeiro minuto até o último take, “X-Men: Fênix Negra” apresenta uma história simples mas muito bem desenvolvida. O ritmo da película é agradável e fluído, sem deixar margem para o espectador dispersar sua atenção. Evitando se apoiar demais em eventos passados (um alívio para quem não assistiu os filmes anteriores ou se perdeu na linha cronológica), o longa se preocupa em apresentar, mesmo que brevemente, apenas o passado de Jean; o que é suficiente e poupa a plateia de explicações repetidas, afinal, são 20 anos de filmes sobre os mutantes!

Mesmo com um grande elenco, o longa consegue equilibrar de maneira satisfatória a presença de cada personagem em cena. É dessa boa organização, aliás, que surgem as melhores cenas dos mutantes em combate já vistas até agora! Agindo muitas vezes juntos e simultaneamente, a câmera de Kinberg é ágil e acompanha o grupo sem deixar escapar nenhum detalhe! Até personagens comumente apagados, como o Noturno (Kodi Smit-McPhee), tem seu momento de destaque. No entanto, é inegável dizer que Sophie Turner brilha do começo ao fim com uma performance poderosa!

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Entretanto, nem tudo são rosas. Salvo alguns pequenos erros de continuidade, o longa possui dois pontos negativos muito fortes. O primeiro é a inserção dessa espécie alienígena misteriosa. Desnecessária para o desenvolvimento da trama, estes antagonistas tiram o foco e o tempo das turbulências que os X-Men estão enfrentando internamente, principalmente no que diz respeito aos seus papéis em nossa sociedade. Esse assunto, amplamente discutido nos quadrinhos, poderia ter sido aproveitado na telona, dando maior profundidade aos personagens.

O segundo ponto negativo se restringe aos 15 minutos finais da projeção. Após tantas sequências incríveis de ação, o desfecho do longa deixa a desejar por ser tão rápido e superficial. A narrativa leva o espectador a um ponto onde se espera um grande e poderoso clímax, o que não acontece. De qualquer modo, o filme soma mais acertos do que erros! A trilha sonora composta por Hans Zimmer é um ponto altíssimo da produção, capaz de transmitir o medo, a angústia, a tensão, e até a dor dos mutantes. Os efeitos especiais, a fotografia e a montagem também não deixam a desejar. Com bons momentos girl power entre outros que ficarão na memória dos fãs, “X-Men: Fênix Negra” é uma despedida em grande estilo da Fox a estes jovens dotados, que com certeza ainda tem um longo caminho pela frente!

P.S.: não há cenas pós-créditos. Nenhuma!

NOTA: 8,0


Direção: Simon Kinberg;
Duração: 1h54;
Gênero: ação, ficção científica;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Esta é a história de um dos personagens mais amados dos X-Men, Jean Grey, enquanto ela evolui para a icônica Fênix Negra. Durante uma missão de resgate no espaço com risco de vida, Jean é atingida por uma força cósmica que a transforma em um dos mais poderosos mutantes. Lutando com esse poder cada vez mais instável, e também com seus próprios demônios, Jean fica fora de controle, dividindo a família X-Men e ameaçando destruir a própria estrutura do nosso planeta. “X-Men: Fênix Negra” é o filme mais intenso e emocional da saga. É o culminar de 20 anos de filmes X-Men, onde a família de mutantes que conhecemos e amamos deve enfrentar seu mais devastador inimigo – um dos seus.

Trailer:

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