O fim de semana chegou e você não está afim de ficar em casa. Decide então ligar para os amigos e convidá-los a assistir um filme que acabou de estrear no cinema, porém, ao chegar na bilheteria, percebe que só há sessões dubladas disponíveis. Isso não é um grande problema para você, mas um de seus amigos diz não assistir filmes que não estejam em seu idioma original. E agora?

Apesar do cenário hipotético, o dilema “legendado vs dublado” ainda é muito pertinente em nosso país. Estatisticamente, a maioria do público prefere as versões dubladas, mas ainda há uma grande parcela da população que não vê com bons olhos esta opção. Em entrevista exclusiva para o Primeira & Sétima Arte, o dublador Alexandre Marconato disse não entender muito bem essa posição contrária. “A nossa dublagem já foi considerada, ou é até considerada, uma das melhores do mundo. O nosso trabalho é muito bom“, defende.

Você pode assistir a obra no original e trocar simultaneamente o áudio pro dublado e vai ver que as coisas são muito próximas“, explica Alexandre. No entanto, ele frisa que isso só acontece quando os longas são dublados em estúdios sérios e com profissionais capacitados. “Hoje infelizmente a gente vê que a coisa abriu um pouco, outras praças tem atuado, e são praças que não tem tanto know-how, então acabam mesmo comprometendo o trabalho“. Ainda assim, o paulistano mantém seu lado no debate. “Acho que muitos sucessos não seriam sucessos se não tivessem sido dublados. Por exemplo, os desenhos do ‘Shrek’. Eu acho incrível a dublagem dos meus colegas do Rio de Janeiro“, diz empolgado, referenciando profissionais como Mário Jorge e Mauro Ramos.

Imagem: divulgação

Conhecido por ser a voz brasileira do ator Michael Fassbender, o trabalho de Alexandre poderá ser conferido mais uma vez nas telonas à partir desta quinta-feira (06), com a estreia de “X-Men: Fênix Negra” (clique aqui para conferir a nossa crítica sem spoilers). No longa, Fassbender vive o personagem Magneto, e Alexandre explica qual o diferencial no trabalho de voz entre o poderoso mutante e os outros papéis do ator que já dublou. “O Magneto é um personagem que não tem muito humor. Ele é um cara mais sério, tem aquele ressentimento. É um personagem mais introjetado, a gente não tem grandes arroubos com ele. É uma coisa mais linear, mais densa“, pontua. “Ele não deixa as emoções dele aflorarem, e quando elas afloram, geralmente não é coisa muito boa“, acrescenta.

Desde 2011 acompanhando a jornada dos mutantes como Magneto, quando “X-Men: Primeira Classe” foi lançado, o dublador fez sua avaliação do personagem. “Do universo dos X-Men, eu acredito que é o mais complexo. Ele não é mau, ele não é bom, ele tem momentos ruins e momentos melhores. No ‘X-Men: Fênix Negra’, por exemplo, acho que o lado humano dele foi bastante despertado, tanto pro mal quanto pro bem“, analisa. Apesar do filme ter sido dublado em apenas uma semana, Alexandre afasta a ideia de que a profissão seja fácil! “Eu já saí do estúdio chorando, já saí do estúdio com pressão alta, porque você fica muito pilhado, adrenalizado“, relata.

Sobre a atual situação do mercado brasileiro de dublagem, ele conta que já foi mais complicado. “Hoje tem as escolas, os cursos, então isso deu uma facilitada, acabou abrindo mais o mercado. Muitas pessoas vieram fazer esses cursos em São Paulo, no Rio, adquiriram um conhecimento básico e voltaram pros seus lugares, abriram estúdios e fizeram novas praças. É uma pena que cresce numa quantidade inferior à qualidade. É isso que tenho percebido“, destaca Alexandre, mas incentiva que os jovens que desejam trabalhar na área continuem neste caminho! Aliás, um de seus desejos é continuar dublando o Magneto na nova fase dos X-Men, dentro do MCU. “Eu quero fazer ele até ele ficar velhinho de novo e roubar o papel do meu colega no Rio“, diz aos risos!

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