Muitos filmes de Hollywood trazem a velha premissa de juntar como par romântico um casal em que um parece exatamente o oposto do outro. Isso não é mais novidade. Mas talvez alguns ainda consigam surpreender ao trazer dois atores conhecidos por estilos de filmes muito diferentes, e que também ninguém esperaria ver trabalhando juntos! Essa é a proposta de “Casal Improvável“, que estreia amanhã (20), com a presença dos astros Charlize Theron e Seth Rogen nos papéis principais.

Dirigido por Jonathan Levine, o longa ressuscita o estilo e os clichês das comédias românticas que transbordavam em números nos anos 1990 e 2000, mas que acabaram sumindo de Hollywood nos últimos tempos. A história traz esse ar nostálgico e o moderniza com uma série de referências da cultura pop do momento, além de um foco na política que espelha e ironiza a atual situação dos EUA.

Imagem: Pillipe Bossé

Na trama, Seth Rogen vive o jornalista liberal Fred Flarsky, que não tem medo de falar o que pensa e tem uma certa propensão a atrair problemas. Já Charlize Theron é Charlotte Field, uma mulher inteligente, poderosa, e atual Secretária de Estado dos EUA. Os dois não parecem ter absolutamente nada em comum, mas como tudo nas comédias românticas é escrito nas estrelas, eles se conhecem desde a infância, quando eram vizinhos, e sem querer se reencontram em uma festa depois que Fred perde o emprego.

Decidida a concorrer à presidência nas próximas eleições, Charlotte precisa de ajuda para aumentar sua popularidade com o eleitorado, e vê em Fred a oportunidade perfeita para isso, com seu humor inteligente e ideais sinceros. Ela então o contrata para escrever seus discursos, e os dois começam a se reaproximar, enquanto Fred tenta se adaptar a um estilo de vida totalmente novo, e Charlotte corre atrás de seu sonho de se tornar a primeira mulher presidente.

Imagem: Philippe Bossé

Apesar de focar no público mais adulto, o roteiro, e principalmente a presença de Seth Rogen, trazem um pouco da vibe “besteirol americano” para “Casal Improvável“, com algumas piadas e cenas específicas que dificilmente veríamos na Sessão da Tarde. Mas sem grandes exageros, o que permite ao filme flutuar entre dois gêneros que, na maior parte do tempo, conseguem se complementar sem muita estranheza.

Por causa da personagem Charlotte, a narrativa inevitavelmente precisa abordar o tema da política. E apesar de isso ser um dos pontos mais interessantes do longa, é também algo que vai perdendo força durante seus 125 minutos de duração. O enredo, que começa com bons momentos cômicos que satirizam e criticam não só o partido republicano dos EUA, como todo o sistema político em si, parece desistir da ideia na metade do caminho, para optar por uma abordagem mais neutra que foge de qualquer controvérsia, talvez com medo de perder parte significativa de seu público.

Imagem: divulgação

Como esperado, Seth Rogen está em casa com o personagem Fred, apesar do ator visivelmente tentar se controlar em alguns momentos para não exagerar na performance e deixá-la muito caricata, mas nada que atrapalhe muito a história. Quem com certeza surpreende é Charlize Theron, que mostra uma capacidade de se adaptar a qualquer gênero, nessa que é sua primeira investida na comédia. O carisma da atriz e sua elegância como Charlotte equilibram de uma maneira divertida, ainda que longe de despretensiosa, o jeito mais escrachado de Fred.

Nesse ponto, ambos os atores surpreendem com uma boa química que faz com que as cenas entre seus personagens funcionem bem e sejam divertidas. Já a questão de se os dois personagens em si apresentam química suficiente para que o público acredite nesse relacionamento é uma outra questão, pois é aí que o roteiro não foge muito dos clichês das comédias românticas.

Imagem: divulgação

Os atores coadjuvantes também dão um show à parte, mas dá pra ver que o diretor provavelmente não tinha grandes intenções de dar um destaque maior a eles, e os relega a basicamente ter uma boa piada cada um. O que é uma pena pois alguns veteranos da comédia como Bob Odenkirk e Lisa Kudrow deixam uma boa impressão mesmo com pouco tempo de tela e talvez poderiam ter sido melhor aproveitados.

Casal Improvável” tenta oferecer o melhor dos dois mundos com uma comédia romântica permeada por um humor adulto que o impede de chegar a qualquer distância de ser considerado um filme “água com açúcar”. O longa não se arrisca tanto em sair de sua zona de conforto, mas consegue agradar suficientemente o espectador com boas piadas e um elenco divertido.

NOTA: 7,5


Direção: Jonathan Levine;
Duração: 2h05;
Gênero: comédia;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: Charlotte Field (Charlize Theron) é uma das mulheres mais influentes do mundo. Inteligente, sofisticada e talentosa, ela é uma diplomata poderosa com um talento para … quase tudo. Fred Flarsky (Seth Rogen) é um jornalista talentoso e livre, com uma tendência autodestrutiva. Os dois não têm nada em comum, exceto que ela era sua babá e foi sua primeira paixão. Quando Fred inesperadamente encontra com Charlotte, ele a encanta com seu humor autodepreciativo e suas lembranças de seu idealismo juvenil. Enquanto se prepara para concorrer à Presidência, Charlotte impulsivamente contrata Fred como seu redator de discursos, para o desânimo de seus conselheiros de confiança.

Trailer:

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