“Um conto de fadas para adultos”. É assim que o diretor Ari Aster define seu mais novo filme. Controverso, brutal, e beirando o absurdo, “Midsommar – O Mal Não Espera A Noite“, com estreia marcada nos cinemas brasileiros para 19 de setembro, faz jus a essa definição das maneiras mais inesperadas possíveis.

O projeto é o segundo da carreira do cineasta norte-americano, que ganhou fama internacional no ano passado com seu longa de estreia, “Hereditário“, arrancando elogios da crítica com seu estilo inovador de terror. Agora, o diretor volta a experimentar no gênero, e subverte até mesmo as expectativas do público em comparação a seu primeiro trabalho, ao tirar a câmera dos espaços internos e escuros que marcaram “Hereditário“, para apontá-la nos terrenos abertos e cheios de luz de “Midsommar“.

Imagem: divulgação

Na trama, Dani (Florence Pugh) está passando por um momento difícil em sua vida, e decide acompanhar o namorado, Christian (Jack Reynor), em uma viagem com os amigos para uma pequena vila no interior da Suécia, durante um festival dedicado ao solstício de verão, que propicia ao local dias extremamente longos e noites curtas. Mas as coisas saem do controle quando o povo da vila, uma comunidade pagã, começa a mostrar aos convidados seus costumes e tradições extremamente perturbadores.

Se a premissa parece conhecida, é porque o longa inevitavelmente bebe na fonte de filmes como “O Homem de Palha“, de 1973, ao explorar o choque de culturas quando as civilizações modernas entram em contato com essas comunidades que parecem ter se perdido no tempo. Para o gênero do terror, o apelo em mostrar esses povos como donos de costumes selvagens e violentos é óbvio, e claramente tem resultados.

Imagem: divulgação

Se “Hereditário” ficou conhecido e foi elogiado por ser muito mais um terror psicológico, focado em deixar o espectador tenso, do que apenas mais um festival de sustos baratos, “Midsommar” vai além nessa ideia. Aqui, Ari Aster exibe uma preocupação ainda menor em assustar o espectador. Sua ideia é deixá-lo desconfortável, inquieto, e por vezes até confuso com o desenrolar de sua trama.

Além da história em si já ser suficientemente perturbadora, a cinematografia é, sem dúvida, a maior força do filme. Planos e sequências muito bem planejados desafiam os padrões do gênero (se não até mesmo do cinema como um todo), e resultam em uma bela obra visual. Muito da história é inclusive revelado e/ou explicado apenas nas imagens, forçando que o espectador redobre a atenção para não perder nenhum detalhe. Aliado ainda a uma trilha sonora no mínimo sinistra, o longa consegue manter o tom desejado pelo diretor.

Imagem: divulgação

O enredo, no entanto, acaba sendo seu ponto mais fraco. Com quase duas horas e meia de duração, a trama é bem arrastada e por pouco não fica monótona antes de seu terceiro ato. Em comparação, perde bastante da sutileza de “Hereditário“, que brilhou com uma boa história em camadas, ao abordar muito bem problemas mais cotidianos como famílias disfuncionais e distúrbios mentais, em uma trama ligada ao sobrenatural; enquanto em “Midsommar“, os personagens não apresentam tanta profundidade e complexidade.

Mas ainda que deixe um pouco a desejar, o filme sem dúvidas merece atenção com sua maneira peculiar e inovadora de se contar uma história. Mesmo com o pouco tempo de carreira, com “Midsommar – O Mal Não Espera A Noite“, o ambicioso Ari Aster volta a provar ser um nome de peso na indústria cinematográfica, e nos apresenta um ensaio perturbador sobre como um mundo de escuridão pode estar escondido à luz do dia.

NOTA: 7,5


Direção: Ari Aster;
Duração: 2h27;
Gênero: suspense, terror;
Classificação Indicativa: 18 anos;
Sinopse: Após vivenciar uma tragédia pessoal, Dani (Florence Pugh) vai com o namorado Christian (Jack Reynor) e um grupo de amigos até a Suécia para participar de um festival local de verão. Mas, ao invés das férias tranquilas com a qual todos sonhavam, o grupo vai se deparar com rituais bizarros de uma adoração pagã.

Trailer:

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