O desemprego assola o país. Todos os dias nos jornais a porcentagem de desempregados só aumenta. Empresas e fábricas promovem demissões em massa e aposentadorias forçadas. Funcionários que estavam há anos no mesmo emprego, prestando serviço para a mesma companhia, se veem de volta à disputa por uma vaga no mercado de trabalho. A estabilidade que muitos acreditavam ter, some como num passe de mágica.

Como se esse cenário não fosse alarmante o suficiente, nas ruas o caos se instala. Grupos extremistas e preconceituosos promovem ataques físicos e verbais a minorias da sociedade. É perigoso andar nas ruas à noite. Marchas do “orgulho branco” rompem avenidas e transbordam ódio. Enquanto isso, jovens protestam e pedem um país mais justo, igualitário, sem discriminação. Achou que eu estava falando do Brasil de 2019? Aposto que sim! Mas estou falando da Inglaterra de 1987.

Imagem: divulgação

Inspirado por uma história real, “A Música da Minha Vida” conta a história de Javed (Viveik Kalra), um adolescente britânico filho de paquistaneses, crescendo na cidade de Luton, Inglaterra, nos anos 1980. Em meio às turbulências econômicas e raciais da época, ele escreve poesia como uma forma de escapar da intolerância de sua cidade natal e da inflexibilidade de seu pai tradicional, atividade esta bem vista por sua professora e vizinho, mas encarada com maus olhos por sua família.

Porém, quando um de seus colegas lhe apresenta a música do “Chefe”, Javed vê paralelos entre sua vida simples e as letras marcantes do cantor norte-americano Bruce Springsteen. À medida que o jovem descobre um escape catártico para seus próprios sonhos reprimidos, ele também começa a encontrar coragem para se expressar com sua própria voz.

Imagem: divulgação

Dirigido pela inglesa Gurinder Chadha, que também assina o roteiro ao lado de Paul Mayeda Berges e Sarfraz Manzoor, “A Música da Minha Vida” é um drama musical cheio de camadas que fala sobre autoconhecimento, identidade e libertação. Apesar de ambientada nos anos 80, a temática é bastante atual e permite ao espectador uma rápida conexão com os desafios vividos pelo protagonista; afinal, todo mundo já passou (ou ainda está passando) por aquela fase de se encontrar no mundo, visto por muitos como simples rebeldia. Mas ninguém muda o status quo sendo apático, certo?

Com boas atuações do elenco principal e coadjuvante, com destaque para a atriz Hayley Atwell, que mesmo usufruindo de pouco tempo em tela entrega uma ótima performance na pele da professora Clay, o longa acerta em apresentar um novo ponto de vista sobre uma das décadas mais populares da cultura ocidental, equilibrando assuntos como política, preconceito, romance e amizade. Graças a origem indiana da diretora, a cultura paquistanesa é representada na telona de maneira respeitosa, sem parecer estereotipada. Porém, o roteiro peca em não aprofundar os dramas do protagonista, entregando soluções rápidas e simplórias. Outro ponto negativo é a ausência de legendas nas músicas de Bruce Springsteen, o que pode deixar os menos fluentes em inglês perdidos em várias cenas.

NOTA: 8,0

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Direção: Gurinder Chadha;
Duração: 2h10;
Gênero: drama, comédia dramática;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Uma alegre história de coragem, amor, esperança, família e da capacidade única que a música tem de erguer o espírito humano. O filme conta a história de Javed, um adolescente britânico de ascendência paquistanesa que cresceu na cidade de Luton, em Inglaterra, em 1987. Entre a agitação racial e económica da época, ele escreve poesia como forma de fugir à intolerância da sua cidade natal e à inflexibilidade do seu pai tradicional. Mas quando um colega de turma lhe introduz a música de Bruce Springsteen, Javed revê a sua vida de classe trabalhadora nas letras poderosas das canções. À medida que Javed vai descobrindo uma saída libertadora para os seus sonhos reprimidos, começa também a encontrar coragem para se expressar com a sua própria voz e de forma única.

Trailer:

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