Eu nunca tinha ouvido falar de Fred Rogers antes deste filme. Aposto que muitos brasileiros também não. Conhecido popularmente como Mister Rogers, ele foi um pedagogo e apresentador de seu próprio programa infantil chamado “Mister Rogers’ Neighborhood” (que em português seria algo como “A Vizinhança do Senhor Roger”). Bastante popular nos Estados Unidos, ele ficou no ar de 1968 a 2001, sendo lembrado por muitos até hoje.

Mas o longa “Um Lindo Dia Na Vizinhança” não é sobre Fred Rogers especificamente. Na verdade, ele é apenas o coadjuvante da história, sendo muitíssimo bem interpretado por Tom Hanks; que inclusive conquistou uma indicação ao Oscar 2020 na categoria Melhor Ator Coadjuvante por sua performance neste papel. Inspirado numa história real, o longa é baseado na amizade entre Rogers (Hanks) e o jornalista Lloyd Vogel (Matthew Rhys).

Imagem: divulgação

Famoso por seus textos ácidos e pouco gentis, Lloyd trabalha como repórter investigativo para uma renomada revista americana. Casado com Andrea Vogel (Susan Kelechi Watson), ele acaba de se tornar pai, porém sua própria experiência como filho não foi lá das melhores. Quando ainda era criança fora abandonado pelo pai, Jerry Vogel (Chris Cooper), na mesma época em que sua mãe estava muito doente e prestes a falecer. Desde então seu relacionamento com o pai nunca mais foi tranquilo.

Certo dia, após se envolver numa briga física com Jerry durante o terceiro casamento de sua irmã, Lloyd é designado para cobrir uma pauta um pouco diferente das quais está habituado. Ele deve entrar em contato com Fred Rogers para entrevistá-lo e montar um pequeno perfil para uma edição especial da revista sobre heróis americanos. Apesar de não ser uma matéria no estilo que está acostumado, aos poucos ele percebe que este talvez seja o melhor trabalho de sua vida.

Imagem: divulgação

Dirigido por Marielle Heller, “Um Lindo Dia Na Vizinhança” é um drama surpreendente capaz de te emocionar de diferentes maneiras. Por ser baseado numa história real e ter entre seus personagens principais uma figura tão conhecida dos EUA, mas pouco recordada no restante do mundo, tive medo de não conseguir me conectar à história por completo, mas após alguns minutos de projeção, já me encontrava absorto na trama. O roteiro, escrito por Noah Harpster e Micah Fitzerman-Blue, possui um ritmo lento mas agradável, que trabalha bem os conflitos internos de seus personagens.

A postura inabalavelmente gentil de Rogers pode causar certo estranhamento no espectador logo de início, mas não demora muito para nos acostumarmos com tal característica. Na difícil tarefa de contracenar com Tom Hanks, Matthew Rhys não se deixa intimidar e entrega uma boa performance. Quando juntos em cena, a química entre os dois é profunda e impactante. No que diz respeito à parte técnica, a trilha sonora e as transições de cena também merecem elogios. Cheio de ensinamentos e momentos reflexivos, “Um Lindo Dia Na Vizinhança” é como uma sessão de terapia, que se encarada de coração aberto, pode mudar a vida de quem estiver na plateia.

NOTA: 8,5


Direção: Marielle Heller;
Duração: 1h49;
Gênero: drama,
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Tom Hanks é Fred Rogers em Um Lindo Dia Na Vizinhança, uma história atemporal sobre a gentileza triunfando sobre o cinismo, baseado na amizade real entre Fred Rogers e o jornalista Tom Junod. Depois que um entediado escritor de revista é escalado para fazer um perfil sobre Fred Rogers, ele supera sua incredulidade, aprendendo sobre gentileza, amor e perdão com o vizinho mais querido da América.

Trailer:

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