A vida de um ator é bastante corrida. Entre a agenda apertada de gravações de uma novela ou filme, é difícil encontrar tempo livre para sair com a família, ver os amigos, ou até mesmo falar com a imprensa. Para dar conta de tantos compromissos é preciso ser multitarefa, e o ator Dalton Vigh é perito nisso! Em um de seus raros dias de folga, ele concedeu uma entrevista exclusiva ao Primeira & Sétima Arte por telefone enquanto visitava o zoológico acompanhado da esposa e filhos! No papo, que não durou muito para não atrapalhar o passeio, o ator falou sobre “A Divisão“, seu mais novo trabalho nas telonas.

Dirigido por Vicente Amorim, o longa que estreou nos cinemas na última semana é ambientado no Rio de Janeiro dos anos 1990, época na qual os sequestros relâmpagos estavam em alta na cidade. Um grupo de policiais assume então a Divisão de Antissequestro (DAAS) da Polícia e a missão de desmontar as quadrilhas que transformaram o crime numa indústria. Como se isso não fosse difícil o suficiente, um dos casos que eles devem resolver tem conexão com o meio político. Interpretado por Dalton, Venâncio Couto é um deputado estadual que almeja ser governador mas tem a filha sequestrada.

Imagem: Carlos Fofinho

A gente, como ator, não pode criticar o personagem. Tem que entender quais são as questões que ele está levando pra essa história“, declara Dalton sobre viver um político num período onde o cargo está tão manchado na opinião pública. “A gente tem que pensar nele como ser humano, né? A gente já pensa em político como ser pejorativo, então a gente como ator não pode cair nessa armadilha. Tem que encará-los como seres humanos, que erram, que acertam, que alguns são mau-caráter e outro nem tanto“, diz. “O que era importante nesse trabalho era passar esse drama que ele está enfrentando, num momento de campanha política. Eu foquei mais nisso do que nas atitudes dele enquanto político“, finaliza.

Para se preparar pro papel, o ator revelou que o processo não foi muito longo, mas que teve tempo para encontrar e trabalhar o personagem. “Muita gente teve muito apoio não só da coach Maria Silva, mas do pessoal que escreveu o roteiro e que foi da polícia. Muita informação a gente recebeu deles! Acho que a gente conseguiu traçar um panorama bem complexo dos personagens“, avalia. Sobre a experiência de gravar mais um longa-metragem, Dalton declarou: “É sempre uma adrenalina, um desafio; mas filme é mais tranquilo que novela. Quando você está fazendo um filme, você faz umas cinco cenas por dia. Em televisão você faz 20, 25, 30! Então você tem mais tempo, você tem mais tranquilidade“, pontua.

Imagem: Carlos Fofinho

Mas tirar de casa o público que está habituado a ver o ator somente na telinha não é tarefa fácil. “A gente torce para que as pessoas sempre vão ao cinema porque é uma outra experiência, né? É uma experiência coletiva. É diferente de você ficar na sua casa simplesmente, colocar um DVD na televisão, parar na hora que você quer…“, compara. E se levarmos em consideração o atual desmonte da cultura por parte do governo, a situação é ainda mais crítica. “Cada obra que deixa de ser feita é um trabalho a menos pra gente e nossos colegas“, conta Dalton, que enxerga com tristeza as dificuldades que a classe artística vem enfrentando nos últimos meses.

O que há por trás disso que assusta; essa sonegação da informação e da cultura só beneficia os tiranos que querem o povo ignorante pra poder continuar fazendo os seus projetos pessoais“, alerta. “Eu, que vivi a ditadura quando criança, lembro do medo que as pessoas tinham de se manifestarem, então é bastante assustador você perceber que a gente pode voltar a isso a qualquer momento. Quando tinha 4 anos de idade, no auge da inocência, lembro de duas mulheres conversando na porta da casa delas sobre o filho de uma outra que tinha desaparecido. O medo estava nas ruas, estava no ar mesmo que a gente não tivesse a compreensão total do que significava aquilo. Depois de um tempo eu fui entender, mas a sensação é muito ruim. É um terrorismo“, relembra o ator. Torçamos para que o passado não se torne presente outra vez.

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