Pelos últimos 10 anos, a imagem de Robert Downey Jr. esteve profundamente atrelada ao personagem Homem de Ferro, da Marvel. Dos 22 filmes lançados pelo estúdio até agora, o ator esteve presente em exatamente uma dezena deles. Porém, depois de tanto tempo interpretando o mesmo papel, a linha tênue entre ficção e realidade começa a desaparecer, e é aí que vive o perigo. Por definição, um ator representa outra pessoa, nunca a si mesma; e não era bem isso que estávamos vendo nos últimos trabalhos do norte-americano.

No entanto, a oportunidade de se libertar da armadura vermelha e dourada surgiu no ano passado, com o lançamento de “Vingadores: Ultimato“. No filme, o super-herói interpretado por Downey se sacrifica em prol do universo, se despedindo assim de milhões de fãs ao redor do mundo, e abrindo inúmeras novas portas e oportunidades em sua carreira. Nesta quinta-feira, estreia nas telonas seu primeiro trabalho pós-Marvel, mas será que o ator conseguiu se emancipar de Tony Stark?

Imagem: divulgação

Baseado no clássico personagem da série de livros do britânico Hugh Lofting, “Dolittle” está mais próximo do clássico de 1967 “O Fabuloso Doutor Dolittle” do que da franquia de comédia estrelada pelo ator Eddie Murphy. Nesta nova versão, ambientada na Inglaterra do século 19, o personagem título ainda tem o poder de falar com os animais em suas próprias línguas, mas está isolado do resto do mundo desde que perdeu sua esposa numa tragédia em alto-mar.

Entretanto, quando a Rainha Victoria (Jessie Buckley) fica gravemente doente, o recluso doutor é obrigado a partir em uma aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma misteriosa e inédita cura. Para tanto, ele contará com ajuda de seus leais amigos animais, além da companhia do destemido jovem Tommy Stubbins (Harry Collett), que após atirar acidentalmente num esquilo, decide virar as costas para a carreira de caçador de sua família para se tornar aprendiz de Dolittle.

Imagem: divulgação

Dirigido por Stephen Gaghan, “Dolittle” é uma fábula em forma de filme. Nitidamente voltado para o público infantil, o longa possui um roteiro básico, assinado pelo diretor ao lado de Dan Gregor, Doug Mand e Chris McKay, que não se arrisca ou exige demais do espectador. Na verdade, tudo é bem simples e fácil de entender, perfeito para os pequenos. O desenvolvimento da trama é agradável, não sendo nem arrastado e nem acelerado, porém um tanto quanto previsível em determinados momentos. Entre um diálogo e outro, o texto ainda encontra espaço para referenciar filmes como “O Poderoso Chefão” e “Bad Boys“!

No quesito humor, os animais são os responsáveis por arrancar a maioria dos risos da plateia. Cada um tem uma característica predominante, que os torna um pouco humanizados. O esquilo Kevin (Craig Robinson) é o mais engraçado, com sua constante desconfiança acerca de Stubbins (por causa do tiro)! Já a performance dos seres humanos é excêntrica, principalmente a de Downey, que lembra um pouco o jeito do pirata Jack Sparrow, de Johnny Depp. Ao fim da projeção, “Dolittle” entrega o que promete, mas acaba sendo tão esquecível quanto a performance do ator que dá vida ao personagem principal.

NOTA: 6,0


Direção: Stephen Gaghan;
Duração: 1h41;
Gênero: fantasia;
Classificação Indicativa: 10 anos;
Sinopse: Depois de perder a esposa, sete anos antes, o excêntrico Dr. John Dolittle, famoso médico e veterinário na Inglaterra da Rainha Victoria, se isola atrás em sua mansão, com a companhia apenas de sua coleção de animais exóticos. Mas quando a jovem rainha fica gravemente doente, Dolittle é forçado a partir em uma aventura épica para uma ilha mítica em busca de uma cura, recuperando suas habilidades e sua coragem enquanto cruza velhos oponentes e descobre criaturas maravilhosas.

Trailer:

COMPARTILHE

Deixe uma resposta