Estrelado por Lady Gaga e Bradley Cooper, “Nasce Uma Estrela” é um filme norte-americano lançado em 2018 que conta a história de Jackson Maine (Cooper), um cantor veterano cuja carreira está em declínio, que se apaixona por Ally (Gaga), uma jovem e talentosa artista em ascensão. Ora, mas o que isso tem a ver com a cantora Malú Lomando, que concedeu recentemente uma entrevista exclusiva ao Primeira & Sétima Arte?

Para começar, assim como Gaga, Malú também é atriz profissional, além de compositora e muralista; e igual a personagem da Mother Monster, Lomando viveu uma história de amor que infelizmente chegou ao fim (mas de uma maneira bem menos dramática que a retratada no longa). Ademais, a multi-artista de 25 anos também foi uma das espectadoras que se emocionou no cinema com a produção dirigida por Cooper. No entanto, o filme não apenas arrancou algumas boas lágrimas de Malú, mas lhe deu inspiração para compor “Estrela“, uma das faixas presente em “Alphaleonis“, seu primeiro álbum de estúdio.

Imagem: Paola Vespa

Disponível nas principais plataformas digitais desde o fim de março, o disco começou a ganhar vida após Malú enfrentar um dolorido rompimento amoroso. “Esse meu ex-namorado era tipo tudo na minha vida, e eu concentrava toda minha felicidade nele, e eu não dava muita atenção nos outros aspectos da minha vida que não estavam bons“, conta a artista. “Quando a gente começou a ter problemas, e isso acarretou num processo que depois fez com que a gente terminasse, foi um fundo do poço muito grande pra mim. [Ele] era uma pessoa que eu tinha uma ligação muito forte. E não foi um relacionamento abusivo! Muita gente me pergunta, mas não foi. Pelo contrário, foi muito bom, e acho que por isso pra mim foi tão difícil de desapegar“, relembra Lomando.

A cantora então, que desde pequena gostava de escrever, principalmente poesias, colocou no papel seus sentimentos. “Eu comecei a escrever e começou a sair músicas, e aí através dessas músicas eu ia cantando pra mim, ia olhando para aquelas palavras e entendendo o que estava acontecendo comigo e o que eu precisava aprender. Era tipo arte-terapia“, explica Malú, que é filha de psicóloga. Mais tarde, ela apresentou suas composições para pessoas próximas, principalmente a sua melhor amiga, Renata Reis, que lhe incentivou a compor um álbum completo e depois veio a se tornar produtora executiva do projeto. “Eu falo que ela é a segunda mãe do disco, porque eu compus todas as letras, sou a intérprete, sou a autora, mas toda a coisa do conceito, a ordem das músicas, os elementos associados aos instrumentos pra dar a sensação e o mood que cada música corresponde, foi um trabalho conjunto“, destaca a artista.

Imagem: Paola Vespa

Para concretizar o projeto, Malú investiu todo o dinheiro que havia economizado da época em que trabalhou num restaurante, além de contar com o apoio de terceiros através de um sistema de crowdfunding. “A gente ouvia muito de várias pessoas ‘ah, eu prefiro dar dinheiro para coisas mais importantes’. É muito importante a gente sanar a fome, a gente sanar a educação brasileira, a gente dar oportunidade para as pessoas, mas a educação é uma parte da nossa humanidade, e a arte é outra. Elas se complementam, então não tem como você dizer que não é importante“, pontua a cantora, que chegou a vender roupas na Avenida Paulista para conseguir o dinheiro necessário. “No final a gente conseguiu R$ 30 mil. Foi absolutamente incrível, foi a união de muitas pessoas.

Com o dinheiro em mãos, a artista pôde se dedicar de corpo e alma ao disco, que por sua vez demandou um acurado trabalho de pesquisa para o desenvolvimento de sua identidade. “Foi um ano e meio, desde a composição até a gente começar o processo de estúdio“, explana Malú, que ainda ressaltou o privilégio de ter trabalhado com uma boa equipe no Estúdio Invisível. O resultado de tanta dedicação é um álbum maduro, denso, que dialoga com diversos temas como términos e inícios de ciclos, cura, vulnerabilidade, e tudo aquilo que nos torna humanos. “O que eu quero é que as pessoas sintam algo, porque essas músicas me fizeram sentir algo. A gente queria trazer uma experiência, mais do que só uma música“, pontua.

Imagem: Paola Vespa

Tendo como inspiração grandes nomes da música brasileira como Elis Regina e Maria Bethânia, Malú dá grande valor a arte de performar suas músicas com integridade. “Acho que a música é um texto, é uma interpretação também. Você tem que estar ali vivo, tem que estar sendo o canal daquela mensagem“. Todavia, colocar seus sentimentos mais profundos na letra de uma canção que milhares de pessoas desconhecidas irão ouvir não é tarefa fácil. “É sempre um desafio, porque realmente é uma crueza, é uma escancaração de quem você é, do que você sentiu, mas eu acho que isso faz parte de quem somos nós artistas, nós somos canais dessas expressões do mundo“, diz.

Num mundo onde a perfeição é constantemente instigada nas pessoas, Lomando considera importante mostrar ao próximo suas falhas e defeitos. “Acho que a gente está vivendo nesse momento uma ascensão muito grande do autoconhecimento, da busca de autocura, da vulnerabilidade, então as pessoas tão vendo os benefícios que é a gente se mostrar humanos, principalmente num mundo de Instagram que cria imaginário de vidas, recortes de vida“, revela. “Quanto mais humana eu for, talvez mais humana eu estou convidando as pessoas a serem também e a olharem pra si, para as suas dores, de uma forma gentil. Então é um pouco isso que me move. A vulnerabilidade é um poder muito grande, e eu quero ser entusiasta disso, sabe? Somos luz e somos sombra“, completa.

Imagem: Paola Vespa

Com sete faixas no total, duas se destacam no “Alphaleonis“. A primeira, “Supernova“, é uma parceria com o cantor Barroso Eus. “Ele era um artista que eu já admirava. A gente acabou virando amigos, e nessa proximidade a gente foi vendo que tinha uma afinidade artística grande. Aí eu falei ‘cara, eu quero fazer uma música com você’, e ele falou ‘eu também quero fazer uma música com você’, e foi maravilhoso, porque em dois encontros a gente fez a música“, relata. Já a segunda, “Sonhos“, é uma releitura do clássico do Peninha. “Ela tinha tudo a ver com a narrativa, com tudo que eu tinha escrito, com tudo que eu estava construindo. Quando a gente foi montar o álbum, a gente falou ‘cara, a gente precisa gravar essa música’“, explica. A faixa ganhou uma versão funk bastante animada, que encerra o disco de maneira festiva!

Antes de mergulhar na produção do álbum, Malú, que é leonina e acredita firmemente em astrologia, e sua amiga Renata chegaram a tirar um tarot para conferir se estavam no caminho certo – e as cartas disseram que sim! Utilizando os astros como fonte de inspiração para vários aspectos do seu disco, incluindo o título, podemos dizer que estamos vendo o nascer de uma estrela brasileira diante de nossos olhos e ouvidos. Torcemos para que seu brilho autêntico dure por muito tempo!

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