Dizem que o álcool é a causa e a solução de todos os problemas do mundo. Eu discordo de metade dessa frase. Compreendo as boas sensações que bebidas alcóolicas podem oferecer ao corpo humano, mas elas podem ser tão ou mais perigosas que outras drogas consideradas ilícitas. Além de causar dependência quando consumidas em excesso, seus efeitos colaterais podem até levar a morte. No recém-lançado “Druk – Mais Uma Rodada“, tanto os aspectos positivos quanto os negativos do consumo de álcool são explorados, porém com pouca seriedade.

Indicado ao Oscar 2021 nas categorias de Melhor Direção e Melhor Filme Internacional, a trama do longa é bem simples. Para alegrar um colega em crise, um grupo de professores do ensino médio decide testar uma ousada teoria de que serão mais felizes e bem-sucedidos vivendo com um pouco de álcool no sangue. A empreitada, levada pelo grupo como um mero estudo social e psicológico, apresenta resultados positivos no início; no entanto, com o passar dos dias, a situação se complica para cada um dos educadores.

Imagem: divulgação

Dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, que assina o roteiro ao lado de Tobias Lindholm, o filme é estrelado por Mads Mikkelsen, responsável por dar vida a Martin, o tal colega em crise. Professor de história, ele não consegue mais manter a atenção dos alunos e frequentemente se perde nos conteúdos. Em casa, seu casamento também não vai bem. Anika (Maria Bonnevie), sua esposa, trabalha num hospital no turno da noite, e os dois mal se veem durante o dia.

Colocando em prática a ideia sobre ser sensato e necessário viver com uma determinada dose de álcool no corpo, Martin começa a beber antes de dar aula, em casa e escondido com os outros professores. Eles até anotam todos os passos do “experimento” e os resultados que obtiveram, mas de pequenas doses diárias passam a ingerir praticamente a mesma quantidade que um alcóolatra. Um dos professores inclusive aparece bêbado durante uma reunião de mestres na escola, cambaleando na frente de todos os funcionários.

Imagem: divulgação

Sob um ritmo constante, a trama se desenrola de maneira vagarosa. Não há grandes acontecimentos ou reviravoltas durante as quase duas horas do filme, o que contribuiu para que a atenção do espectador ocasionalmente se disperse. A exceção do protagonista, o drama dos outros personagens não é tão aprofundado. Já as atuações do elenco são boas, tanto o principal quanto o coadjuvante, com destaque para a cena final de Mikkelsen onde ele entrega uma ótima performance.

Embora seja classificado como comédia, são poucos os momentos verdadeiramente engraçados do filme, por isso não espere dar muitas gargalhadas ao assisti-lo. Outro aspecto importante que merece ressalva é a tendência do roteiro em fazer apologia ao consumo de álcool, falhando em alertar o público sobre seus reais malefícios. No geral, o plot principal de “Druk – Mais Uma Rodada” poderia ter sido resolvido em poucos minutos com uma visitinha ao psicólogo mais próximo. Seja na ficção ou na vida real, problemas como baixa autoestima, relacionamento desgastado e infelicidade no trabalho não se resolvem com álcool.

NOTA: 6,5


Direção: Thomas Vinterberg;
Duração: 1h57;
Gênero: comédia, drama;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: Para alegrar um amigo em crise, um grupo de professores decide testar a ousada teoria de que serão mais felizes e bem sucedidos vivendo com um pouco de álcool no sangue. Assim começa uma embriagante sátira de Thomas Vinterberg.

Trailer:

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