A luta antirracista, embora seja um esforço coletivo, é decorrente de experiências pessoais. Mesmo vivenciando situações de discriminação e opressão similares, cada indivíduo reage de maneira diferente a tais episódios. E ainda que compartilhem um objetivo em comum, a busca por igualdade é díspar entre negros e brancos. Isso fica bastante nítido em “Filhos do Ódio“, drama que já está disponível para aluguel e compra nas principais plataformas digitais.

Dirigido pelo britânico Barry Alexander Brown, o longa tem roteiro baseado no livro biográfico “The Wrong Side of Murder Creek“, escrito por Bob Zellner e Constance Curry; e conta a história real de Zellner (Lucas Till), um jovem branco do Alabama, neto de um membro da Ku Klux Klan, que decide questionar a segregação racial nos Estados Unidos no auge das atividades do grupo supremacista branco.

Imagem: divulgação

Ambientado na década de 1960, o filme possui um recorte delimitado: os eventos que levaram Zellner a se unir ao Student Nonviolent Coordinating Committee (Comitê Coordenador Estudantil Não-Violento, em tradução livre). Após sofrer represálias da população local por conta de um trabalho da faculdade sobre a questão racial, o jovem se dá conta de seus privilégios na comunidade de Montgomery e se vê cada vez mais atraído pela luta dos direitos civis.

Apesar de ser produzido pelo gênio Spike Lee, “Filhos do Ódio” não traz consigo o tom arrojado que consagrou o cineasta. Na verdade, mesmo contextualizando o cenário político e social da época, o sentimento de que o filme poderia ter se aprofundado mais no drama dos personagens é uma constante. Ao longo de uma hora e 45 minutos, nós acompanhamos o desenrolar dos fatos, mas falta emoção, coração.

Imagens: divulgação

Em concordância ao tom morno da produção, a performance do elenco como um todo não impressiona. Salvo o protagonista Lucas Till e o veterano Cedric the Entertainer, todos parecem pouco experientes na arte de atuar. Não há uma entrega genuína aos personagens, e isso não escapa do olhar do espectador. Em contrapartida, a fotografia, a cenografia e os figurinos estão muito bons, criando a atmosfera perfeita para o desenrolar da trama.

Mesmo com toda a apatia, o longa consegue propor reflexões importantes sobre local de fala e a importância de apoiar uma minoria mesmo não fazendo parte dela. Numa determinada cena, apesar de estar protestando ao lado de manifestantes negros, Zellner recebe um tratamento diferenciado e mais brando da polícia, algo que vemos acontecer até hoje. A coragem de Bob Zellner em sair de sua zona de conforto pelo bem do próximo é inspiradora, e ainda que o filme não faça jus a sua história, seu impacto na luta antirracista é de muito valor.

NOTA: 6,5


Direção: Barry Alexander Brown;
Duração: 1h45;
Gênero: drama;
Classificação Indicativa: 14 anos;
Sinopse: Estados Unidos, 1960. Desafiando sua família, um jovem neto de líderes da Ku Klux Klan começa a questionar o racismo da sua cultura e lutar contra a injustiça social. Baseado na história real de Bob Zellner, porta-voz do Movimento dos Direitos Civis.

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