Será que há realmente um propósito para tudo o que acontece na vida? Do cair de uma folha na floresta até a morte de uma pessoa querida, será mesmo que está tudo conectado, como pequenas engrenagens de um plano maior? Ou é tudo uma questão de ação e reação, um jogo de probabilidades? Esse questionamento filosófico, que acompanha a humanidade desde seus primórdios, é o cerne do filme “Loucos Por Justiça“, estrelado pelo ator Mads Mikkelsen.

Embora à primeira vista pareça ser apenas mais um longa de ação genérico, a produção dirigida por Anders Thomas Jensen vai muito além do que normalmente se espera de um título do gênero. Com roteiro escrito pelo próprio cineasta, o filme acompanha o Markus (Mikkelsen), um militar que mergulha numa jornada de vingança após receber informações de que a trágica morte de sua mulher num acidente ferroviário pode ter sido intencional.

Imagem: ROLF KONOW (divulgação)

Tal hipótese de crime é levantada por Otto (Nikolaj Lie Kaas), um especialista em análises estatísticas que sobreviveu ao acidente. Ele revela que, no mesmo vagão onde estava a esposa de Markus, estava também um ex-membro de gangue que iria depor, naquele dia, contra o grupo que fazia parte. Com a ajuda de Lennart (Lars Brygmann) e Emmenthaler (Nicolas Bro), ambos amigos de Otto, o grupo parte atrás de pistas que comprovem a teoria, enquanto lida com ameaças cada vez mais perigosas.

Inteligente, provocador e imprevisível, “Loucos Por Justiça” é uma grata surpresa que arrebata o espectador num caleidoscópio de sensações. Partindo de uma premissa clichê, o longa passeia com facilidade entre o drama, a comédia, a ação e o suspense sem se perder em nenhum momento; a medida que constrói uma narrativa repleta de camadas sobre traumas e saúde mental. Amparado por um texto bem escrito e acessível, o filme é conduzido com maestria por Jensen, que tem sensibilidade para equilibrar ritmo da narrativa, dando o devido espaço para todos os personagens.

Imagem: ROLF KONOW (divulgação)

Por falar em personagens, eles são, sem sombra de dúvida, peças-chave da história. Bem construídos, cada um traz consigo uma profundidade ímpar e bastante realista, tornando fácil para o espectador se relacionar com seus dramas. Mads Mikkelsen é quem mais se destaca no elenco, interpretando com autenticidade um militar frio, distante, um tanto quanto agressivo e com pouco tato para se relacionar com a filha Mathilde (Andrea Heick Gadeberg). Com o desenrolar da trama, o que poderia ser um personagem estereotipado se revela um pai com dificuldades em lidar com os próprios sentimentos, com o luto, mas que procura acertar mesmo com tantas falhas. Um ser humano perfeitamente imperfeito.

Otto, Lennart e Emmenthaler também possuem arcos interessantes de acompanhar. Todos carregam traumas que reverberam em suas personalidades e modos de agir em situações problema. A paleta de cores fria colabora para a construção de uma atmosfera visual que dialogue com as questões complexas e delicadas levantadas pelo roteiro. Atual e necessário, “Loucos Por Justiça” é um filme que, em tempos de tantos acontecimentos históricos, nos faz refletir sobre o impacto de nossas ações na vida dos outros e a maneira que lidamos com eventos que fogem do nosso controle. Um título que definitivamente merece a sua atenção.

NOTA: 8,5


Direção: Anders Thomas Jensen;
Duração: 1h56;
Gênero: ação, comédia, drama;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: Markus é um militar que precisa voltar para casa, para sua filha adolescente, Mathilde, quando sua esposa morre em um trágico acidente de trem. Parece ser pura má sorte – mas acontece que pode ter sido um assassinato cuidadosamente orquestrado, do qual sua esposa acabou sendo uma vítima aleatória.

Trailer:

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