Lançado originalmente em 2018, o épico “Shadow” finalmente chegou aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12), com distribuição da PlayArte Pictures. Dirigido por Zhang Yimou, de “Flores do Oriente” (2012) e “A Grande Muralha” (2017), o longa é ambientado na China do Período dos Três Reinos, no século III D.C., com sua trama girando em torno de uma reconquista de poder pelo reino Pei na cidade sagrada de Jing, que foi tomada pela força militar do reino Yan.

Após o comandante Ziyu Jingzhou (Deng Chao) armar um confronto com o rei Yang Cang (Hu Jun) pelas costas do arrogante rei Peiliang (Kai Zheng, conhecido pelos fãs da DC por interpretar o personagem Ryan Choi em “Liga da Justiça de Zack Snyder“), que havia feito um acordo de paz com o reino adversário afim de manter seu trono, o soberano de Pei exige que o militar lute e vença o combate para provar sua dignidade e reconquistar o poder único da cidade. Assim, a narrativa acompanha a jornada espiritual de redenção de Jing, que está em treinamento nas “sombras” em segredo desde a infância, substituindo um alto ex-comandante do rei por causa de sua saúde fraca.

Imagem: divulgação

A “Sombra” não é um mero título ao caso. O diretor optou em construir sua cosmologia como se estivesse literalmente em sombras e escuridão. A mise en scène te intriga como se uma carga negativa estivesse imposta sobre essas pessoas e na cidade de Jing, com uma paleta de cores “poluída” em tons de cinza e bicromáticos. Contudo, outra percepção de conflito são as diversas cenas que enfatizam a simetria, que nos remete ao senso de dualidade, um equilíbrio entre cada reino que disputa a cidade. Ao decorrer do filme, notamos como a sociedade e seus reis querem o poder supremo e que não há uma posição correta entre eles.

As técnicas de combate são um dos grandes destaques do longa, com ótimas coreografias aliadas a uma fotografia excepcional que nos deixa apreensivo, chocados com as cenas de ferimentos e mortes. O drama que o comandante tem que lidar e realmente entender não é fácil, pois todos estão destruídos por ganância, fome de poder e liderança. O longa de Yimou prova que tudo está pronto para acontecer em tela de forma orgânica com reviravoltas a cada cena, o que deixa tudo no pensamento do espectador a respeito das possibilidades de acontecimento e sobre quem está certo ao lado da narrativa.

Imagem: divulgação

A trilha sonora é composta por um instrumento musical chines que é apresentado durante o filme, deixando claro que nada é ao acaso. Um dos pontos negativos é o fato do filme ser extenso, com um ritmo lento e previsível, apenas deslocando os personagens para cumprir suas missões que não ganham força. Todavia, a proposta do diretor sobre uma cosmologia “depressiva” pode deixar o público cansado em seu segundo ato.

A construção e desconstrução dos protagonistas com suas mensagens são suas ideias mais bem exploradas e desenvolvidas na trama, juntamente com sua estética própria. Assim, fechando um ciclo de mensagens que a história vai apresentando ao decorrer da linha. Os fãs de guerras orientais e de grandes plot twists poderão curtir “Shadow” de Zhang Yimou!

NOTA: 7,0

Texto escrito por Lucas Venancio.


Direção: Zhang Yimou;
Duração: 1h56;
Gênero: ação, guerra;
Classificação Indicativa: 16 anos;
Sinopse: Durante o período dos Três Reinos na China, um Rei, muito violento e ambicioso, se prepara para a batalha final. Perdê-la significa abdicar do seu trono, suas terras e seu povo, algo que ele e o General do seu exército não estão dispostos a entregar tão facilmente. Paralelamente, as mulheres do palácio percebem que este é momento ideal para reivindicarem posições de destaque em um mundo que parece não reconhecê-las.

Trailer:

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