Quando vamos ao cinema assistir a um filme musical, é comum esperar por muita dança e coreografia, cenas musicais grandiosas, figurinos pomposos… Mas nada disso acontece em “Querido Evan Hansen“, que estreia nos cinemas brasileiros neste fim de semana. Até há uma sequência pontual onde temos um pouco de sapateado, mas nada que chegue aos pés de outras produções do gênero. Podemos dizer que este é um musical para os introvertidos!

Dirigido por Stephen Chbosky e com roteiro assinado por Steven Levenson, o longa é baseado no famoso musical da Broadway de mesmo nome escrito pela dupla de compositores Benj Pasek e Justin Paul e em cartaz desde 2014. Aliás, a dupla também é responsáveis pelas música do filme. Ambientado num subúrbio tradicional dos Estados Unidos, a trama acompanha Evan Hansen (Ben Platt), um jovem estudante do ensino médio que sofre de ansiedade mas torce por compreensão e pertencimento em meio ao caos e crueldade na era da mídia social.

Foto: divulgação

Extremamente tímido, Evan é orientado por seu terapeuta a escrever cartas para si mesmo detalhando o que acontecerá de bom em seu dia. Porém, após um primeiro dia de aula malsucedido, ele escreve uma carta em tom de desabafo, desejando que tudo fosse diferente. O que Evan não podia imaginar era que a carta fosse cair nas mãos de Connor Murphy (Colton Ryan), um estudante recluso, temperamental e sem amigos que acaba por tirar a própria vida mais tarde no mesmo dia.

Quando seu corpo é encontrado, a carta que ele havia tomado de Evan é achada em seu bolso, o que causa um grande mal-entendido: os pais de Connor acreditam que o filho escreveu a carta para Evan, dado o tom de intimidade da mensagem. Desesperados por mais informações e detalhes da vida dele, os pais de Connor convidam Evan para um jantar. O jovem até tenta contar a verdade, mas pressionado pela situação, acaba inventando histórias sobre uma amizade que nunca existiu, até que suas mentiras saiam fora de controle.

Foto: divulgação

Modesto e sensível, “Querido Evan Hansen” é um musical capaz de emocionar o público com a delicadeza que trata temas difíceis. Embora não seja arrebatador como “O Rei do Show“, por exemplo, e nem possua uma premissa inovadora, a trama acerta ao abordar assuntos universais como depressão, luto e saúde mental. Os dramas vividos pelos personagens são complexos e bem construídos, o que passa um ar de veracidade ao expectador, possibilitando uma conexão com seus próprios dramas.

Com bastante experiência em teatro, Ben Platt entrega tudo de si ao personagem principal. Suas habilidades vocais são impressionantes, trazendo um sentimento genuíno às músicas que apresenta. Porém, é impossível afastar a sensação de estranhamento ao ver um homem de quase 30 anos interpretando um adolescente de 17. Com pouco tempo em tela, Julianne Moore possui um dos momentos mais tocantes do longa, ao interpretar a canção “So Big/So Small“. Outra música que merece atenção é “The Anonymous Ones“, interpretada por Amandla Stenberg.

Num ano de grandes lançamentos no âmbito do cinema musical, “Querido Evan Hansen” pode passar despercebido por algumas pessoas, mas vale a pena dar uma chance para suas melodias simpáticas e letras poderosas.

NOTA: 7,0


Direção: Stephen Chbosky;
Duração: 2h17;
Gênero: drama;
Classificação Indicativa: 14 anos;
Sinopse: O fenômeno da Broadway de tirar o fôlego torna-se um evento cinematográfico quando o vencedor do Tony, Grammy e Emmy, Ben Platt, repete seu papel como um estudante do ensino médio ansioso e isolado, ansiando por compreensão e pertencimento em meio ao caos e crueldade da era da mídia social.

Trailer:

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