Luxo. Riqueza. Glamour. Tradição. Família. Essas são algumas das palavras que podem ser usadas para definir a grife de moda italiana Gucci. Porém, escondido abaixo das icônicas listras de couro vermelho e verde, há drama, traição, mentiras e morte! Parte desse lado obscuro da marca é apresentado em “Casa Gucci“, novo filme do diretor Ridley Scott que chega aos cinemas nesta quinta-feira (25) cercado de expectativas. Mas será que elas se cumprem?

Baseada no livro “The House of Gucci”, da autora Sara Gay Forden, a trama tem início em Milão, no ano de 1978. A cidade é lar de Maurizio Gucci (Adam Driver) e Patrizia Reggiani (Lady Gaga), que ainda não se conhecem. Ele é herdeiro do império Gucci, andando sempre na companhia de um segurança, e ela a herdeira de uma frota de transporte rodoviário. Dois mundos distintos. Contudo, por obra do destino, seus caminhos se cruzam certa noite sob as luzes coloridas e a música alta de uma festa. Assim que descobre o sobrenome de Maurizio, Patrizia dá início a um intenso jogo de sedução para atraí-lo, proporcionando momentos engraçados na telona.

Imagem: divulgação

O que ela não imaginava é que Maurizio queria se distanciar da família. Introvertido (e um pouco abobado, vale dizer), ele estudava direito e desejava ser advogado. Mas isso não foi obstáculo para a ambiciosa Patrizia. Aos poucos, ela conquistou seu espaço no coração do rapaz, algo que não agradou Rodolfo Gucci (Jeremy Irons), pai de Maurizio. Quando soube que seu único filho desejava se casar com Patrizia, ele o deserdou da família. O jovem então passou a morar e trabalhar com a amada por um tempo.

Anos mais tarde, os caminhos de Maurizio e Patrizia voltaram a se cruzar com os dos Gucci graças ao intermédio de Aldo Gucci (Al Pacino), tio de Maurizio. Desgostoso com o próprio filho, Paolo Gucci (Jared Leto), um excêntrico autointitulado designer, ele busca no sobrinho uma figura mais séria para assumir os negócios da família no futuro. Tal desejo é totalmente apoiado por Patrizia, que passa a trabalhar nos bastidores afim de aproximá-los. Não demora muito para que o plano funcione e ela tenha a vida de riqueza e poder que sempre sonhou. Entretanto, nem tudo que reluz é ouro, e o que parecia ser um paraíso logo se transforma num inferno, com consequências desastrosas para todos os integrantes da família.

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Segundo lançamento de Ridley Scott nos cinemas este ano, “Casa Gucci” é muito melhor que “O Último Duelo“, mas sofre de problemas parecidos. Amparado por um elenco estelar, os melhores elogios do longa provém de suas performances. A começar por Lady Gaga, a mother monster dá mais um show de atuação após sua estreia no excelente “Nasce Uma Estrela“, se provando uma grande atriz (não que houvesse alguma dúvida quanto a isso para quem acompanha sua carreira musical, recheada de performances teatrais). Do sotaque perfeito a postura em tela, ela domina o complexo arco emocional de sua personagem com maestria. Não há dúvidas de que será indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2022.

Adam Driver também não deixa a desejar. Sua performance funciona como um contraponto a de Gaga, com quem ele compartilha a maioria de suas cenas; sendo mais introspectiva e sutil. Os trejeitos e nuances do personagem são entregues com sutileza e naturalidade, conferindo um tom mais autêntico à sua atuação. A maior surpresa fica por conta de Jared Leto, com sua performance divertida e excêntrica. O ator conquista rapidamente a simpatia da plateia, sendo um dos personagens mais interessantes de observar em todo o filme.

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Apesar de aparecer pouco, Jeremy Irons aproveita todos os momentos que dispõe em tela e dá um show de interpretação. O jeito sisudo e o tom de voz grosso lhe conferem uma áurea de autoridade, se tornando uma presença forte em todos as vezes em que surge diante de nossos olhos. Por fim, mas não menos importante, Al Pacino exala uma energia mista de bon-vivant com mafioso. Em alguns momentos, seu personagem é divertido e até carismático, ganhando a simpatia do público. Porém, há vezes em que ele se mostra perigoso, inflexível e até mesmo autoritário. No geral, todos os personagens possuem diversas camadas que são bem exploradas ao longo da projeção.

Mas como nem tudo são rosas, temos que falar dos aspectos negativos do filme; sendo o roteiro e o desenvolvimento da trama os principais deles. Desnecessariamente longo, o filme fluiria muito melhor se tivesse encurtado ou deletado alguns diálogos e cenas. Quem vai ao cinema esperando ver um filme com foco no assassinato de Maurizio pode se decepcionar, já que o enredo abrange quase toda a família Gucci e seu jogo de poder. Com quase três horas de duração, a sensação do expectador é a de acompanhar uma novela ou uma série. Aliás, a história poderia ser melhor aproveitada se fosse adaptada num formato de maior fôlego.

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Após cerca de uma hora e meia de projeção, a narrativa perde o fôlego quase que por completo. As cenas começam a se arrastar, provocando tédio e bocejos no público. Ainda que, de certo modo, o arco de Paolo e Aldo seja importante para o filme como um todo, ele poderia ser mais curto, abrindo espaço para que os fatores que culminaram no assassinato de Maurizio fossem melhor explorados. A trilha sonora também não contribuiu positivamente para a obra. Bastante genérica, parecia que o diretor havia buscado no Spotify por “músicas clássicas com vibe italiana” e adicionado as primeiras sugestões. Numa cena de sexo, por exemplo, a escolha da música torna um momento que devia ser pelo menos sexy em cômico.

Em termos de cabelo, maquiagem e figurino, o filme acerta em cheio na caracterização de seus personagens! O destaque certamente vai para Jared Leto como Paolo, e Lady Gaga como Patrizia. Aliás, é quase certo que o longa deverá abocanhar ou o Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem, ou o de Melhor Figurino no ano que vem. Mesmo com suas falhas, “Casa Gucci” oferece um bom entretenimento e um olhar inédito sobre uma das mais famosas grifes do mundo.

NOTA: 7,5


Direção: Ridley Scott;
Duração: 2h38;
Gênero: crime, drama;
Classificação Indicativa: 14 anos;
Sinopse: Casa Gucci é inspirada na chocante história real do império da família por trás da italiana casa de moda Gucci. Abrangendo três décadas de amor, traição, decadência, vingança e em última instância, assassinato, vemos o que um nome significa, o que vale e quão longe uma família para se manter no controle.

Trailer:

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