Quando se fala que o cinema é uma arte, muitas pessoas não entendem o real significado por trás dessas palavras. Arte é tudo aquilo que te emociona, que te faz sentir alguma coisa. Quando você assiste a um filme que te arrepia quando você menos espera, isso é arte. Quando você escuta uma música que te faz chorar sem que você se dê conta do real motivo, isso é arte. Quando você se sente motivado, representado, comovido por uma história que se desenrola diante dos seus olhos na telona, isso é arte. Por esses e outros motivos o cinema é uma arte; e por esses e outros motivos que “King Richard: Criando Campeãs” é a mais nova obra da sétima arte!

Dirigido por Reinaldo Marcus Green, vencedor do Prêmio do Júri Especial Dramático dos EUA de Destaque de Primeiro Filme pelo drama “Monstros e Homens” (2018), no Festival Sundance de Cinema, “King Richard” pode parecer, à primeira vista, mais um filme biográfico sobre uma personalidade esportiva. Contudo, o longa vai muito além disso! Estrelado por Will Smith, que já trabalhou com o cineasta na minissérie “EUA: A Luta pela Liberdade” (disponível na Netflix), o filme conta a história Richard Williams (Smith), um pai determinado a educar e criar suas filhas para vencer no mundo.

Imagem: divulgação

VEJA TAMBÉM: Serena e Venus Williams conhecem elenco de “King Richard: Criando Campeãs” em novo vídeo dos bastidores

Motivado por uma visão clara do futuro de suas filhas, empregando métodos próprios e nada convencionais de treinamento, Richard tem um plano detalhado para levar Venus (Saniyya Sidney) e Serena Williams (Demi Singleton), das ruas de Compton, na Califórnia, para as quadras de todo o mundo, como lendas vivas do tênis. Porém, a estrada até o topo do panteão esportivo não é fácil de percorrer, principalmente quando você é uma pessoa negra e pobre nos Estados Unidos. Com foco no objetivo e dedicação ao processo, Richard realiza aquilo que muitos consideravam impossível, conquistando o lugar de respeito que tanto batalhou para suas filhas e, consequentemente, para si mesmo.

Inspirador de várias maneiras, é impossível não absorver pelo menos uma lição de “King Richard: Criando Campeãs“. Chegando aos cinemas com pouco alarde, o filme se ergue diante de nós com valores e reflexões importantíssimos. Aliás, não se surpreenda se, por acaso, esbarrar com posts motivacionais inspirados no longa em alguma página de coach! Ao longo de duas horas e 24 minutos, o enredo discute temas como disciplina, dedicação, perseverança, humildade, pertencimento, racismo e preconceito, representatividade, planejamento, pressão e expectativas, saúde mental, suporte familiar e a importância do esporte para crianças e famílias carentes. Sim, tudo isso tem espaço no filme!

Imagem: divulgação

O ótimo roteiro escrito por Zach Baylin abraça com harmonia todos esses temas, sem se esquecer do principal: a história real de Richard, Venus e Serena Williams. Aliás, vale a pena dizer que o filme possui um foco maior na jornada de Venus, mas isso não significa que Serena é deixada de lado em nenhum momento. As jovens Saniyya Sidney e Demi Singleton cumpriram com sucesso a difícil missão de interpretar as maiores e melhores tenistas do mundo. Seja correndo na quadra de tênis ou em diálogos profundos e dramáticos, Saniyya não decepciona em nenhuma cena. Quem também merece elogios é Aunjanue Ellis, que interpreta Oracene ‘Brandy’ Williams, a mãe das garotas. A atriz entende a importância de sua personagem e não a deixa passar despercebida do público, se colocando como uma das melhores atrizes coadjuvantes do ano.

Porém, quem merece o troféu de melhor performance é Will Smith. O ator mergulha de corpo e alma em seu personagem e, como resultado, entrega ao público uma das melhores atuações de sua carreira. Do andar ao olhar, ele oferece tudo que lhe é exigido em cena com maestria, chegando como um fortíssimo candidato ao Oscar de Melhor Ator de 2022. Do ponto de vista técnico, o filme também não apresenta falhas. A bela fotografia de Robert Elswit casa perfeitamente com o trabalho dos designers de produção Wynn Thomas e William Arnold, e da figurinista Sharen Davis. Ao comparar ficção e realidade lado a lado, a precisão do trabalho realizado pela equipe é gigante! Ao final da sessão, “King Richard: Criando Campeãs” se consagra como um trabalho de excelência à altura da importância das figuras que representa.

P.S.: não saia da sala de cinema antes de ouvir por completo a música “Be Alive“, de Beyoncé. É a cereja do bolo!

NOTA: 9,5


Direção: Reinaldo Marcus Green;
Duração: 2h24;
Gênero: drama, esporte;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Baseado numa história verídica que inspirará o mundo, o filme da Warner Bros. Pictures, King Richard Para Além do Jogo, conta-nos a história de Richard Williams, um pai decidido em criar duas das atletas mais dotadas de todos os tempos, mudando o mundo do ténis para sempre.

Trailer:

COMPARTILHE

Deixe um comentário