Diferente de outros super-heróis que foram recentemente adaptados para as telonas, o Homem-Aranha já viveu muitas histórias no cinema (assim como o Batman e o Superman). Ao longo de quase 20 anos, o manto do amigão da vizinhança já foi vestido por diferentes atores, que entregaram diferentes abordagens deste complexo personagem. Cercado por altas expectativas, “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” chega com a responsabilidade de honrar este legado, e se consagra como o melhor filme da trilogia estrelada por Tom Holland. Embora seja uma missão difícil, esta crítica será livre de spoilers, então não tenha medo de continuar a leitura!

Dirigido mais uma vez por Jon Watts, o terceiro capítulo da franquia começa de maneira inédita. Pela primeira vez na história cinematográfica do Homem-Aranha, a identidade do herói é revelada a nível mundial, virando de cabeça para baixo a vida de Peter Parker (Tom Holland) e de todos ao seu redor. Para piorar, todo esse caos amplamente divulgado pela imprensa e redes sociais acontece na mesma época em que Peter, seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) e sua namorada MJ (Zendaya) estão tentando conseguir uma vaga na faculdade; que rejeitam suas inscrições por conta de toda essa polêmica.

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Sentindo-se culpado por ter praticamente arruinado o futuro dos amigos, Peter decide pedir ajuda ao Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), com quem esteve ao lado durante os eventos de “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores: Ultimato“. O jovem pergunta se existe a possibilidade de fazer com que o mundo esqueça que Peter Parker é o Homem-Aranha; porém, durante a conjuração do feitiço de esquecimento, Parker começa a fazer diversas interferências, tirando a concentração do mago e arruinando a magia por completo.

Além de não alcançar seu objetivo, a postura do garoto gera consequências inesperadas: os vilões de outros universos que conheciam a identidade secreta do Homem-Aranha são atraídos para o seu próprio universo! Um por um, Doutor Octopus (Alfred Molina), Duende Verde (Willem Dafoe), Electro (Jamie Foxx), Homem-Areia (Thomas Haden Church) e o Lagarto (Rhys Ifans) cruzam o caminho de Peter, trazendo um desequilíbrio para o Multiverso. Para consertar as coisas, nosso herói precisará tomar difíceis decisões e se aliar a pessoas com quem ele jamais imaginou unir forças.

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Cheio de referências e easter-eggs, “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” é um verdadeiro presente para os fãs de longa data do herói mais popular da Marvel de todos os tempos! Apesar da premissa pouco inspirada, o filme trabalha com maestria o desenvolvimento de seus personagens, entregando vários momentos emocionantes que serão lembrados por muitos anos. Mais maduro que seus antecessores, o longa promove a tão esperada evolução no comportamento de Peter Parker. Se em “De Volta ao Lar” (2017) e “Longe de Casa” (2019) parecia que o personagem terminava seus arcos do mesmo modo que os iniciara, o que lhe fazia cometer os mesmos erros outra vez, aqui o jovem herói é colocado em situações desafiadoras que exigem uma postura mais responsável.

Escrito por Chris McKenna e Erik Sommers, o roteiro encontra tempo entre as piadas e as ótimas sequências de ação para discutir temas mais adultos como traumas, perdas, sacrifícios e saúde mental. Percebe-se que os roteiristas compreenderam que parte do público que vai aos cinemas já cresceu e enfrenta problemas mais “sérios” em seu dia-a-dia. Deste modo, o filme estabelece laços ainda mais profundos com o espectador ao abordar tais assuntos, tornando a experiência única para cada um. E para dar conta do recado, Tom Holland entrega tudo de si em sua melhor performance na pele do super-herói! O ator britânico não decepciona nas cenas mais dramáticas, conseguindo impactar a plateia em vários momentos.

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Quem também se destaca são os atores Alfred Molina e Willem Dafoe. Com excelentes atuações, os veteranos resgatam com facilidade toda a essência de seus personagens, como se nunca tivessem deixado de interpretá-los. Vale dizer ainda que a mudança no semblante de Dafoe ao ser “possuído” pelo Duende Verde é de arrepiar! Outro ponto que merece elogios é a trilha sonora. Robusta e vibrante, as faixas compostas por Michael Giacchino ajudam e muito na construção do clima de cada cena, seja ela mais enérgica ou mais intimista. Como nem tudo são flores, o filme peca em alguns pontos, sendo o principal deles o CGI. Em alguns momentos, as paisagens ficam com uma aparência pasteurizada, sem textura, deixando nítido o uso de tela verde. Mesmo que tenhamos ciência de seu forte uso em produções do gênero, a finalização dos efeitos poderia ter sido melhor.

De todo modo, “Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa” é um filme que irá marcar gerações, estando à altura da grandiosidade e importância do personagem. Prepare-se para rir, chorar, vibrar, gritar, torcer e se emocionar ao longo de confortáveis duas horas e meia dentro do cinema! Não importa se você é fã da DC ou da Marvel, este longa com certeza irá te tocar de algum jeito. Vida longa ao amigão da vizinhança!

P.S.: há DUAS cenas pós-créditos, então não saia do cinema até que todas as letrinhas tenham subido!

NOTA: 8,5


Direção: Jon Watts;
Duração: 2h28;
Gênero: ação, aventura;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Pela primeira vez na história cinematográfica do Homem-Aranha, a identidade do herói amigão da vizinhança é revelada, colocando suas responsabilidades de super-herói em conflito com sua vida normal e colocando em risco aqueles com quem ele se preocupa. Quando ele pede a ajuda do Doutor Estranho para restaurar seu segredo, o feitiço abre um buraco em seu mundo, liberando os vilões mais poderosos que já lutaram contra um Homem-Aranha em qualquer universo. Agora, Peter terá que superar seu maior desafio, que não apenas alterará para sempre seu próprio futuro, mas também o futuro do Multiverso.

Trailer:

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