Toda vez que Hollywood anuncia a produção de um remake, reboot ou sequência de um clássico dos anos 1980, um cinéfilo tem uma crise de ansiedade! Apesar de algumas tentativas terem dado certo, como por exemplo “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), outras deram bem errado, como “Caça-Fantasmas” (2016). Assim, quando confirmaram que “Top Gun” (1986) teria uma continuação, procurei manter minhas expectativas baixas para evitar qualquer frustração. Contudo, para minha grata surpresa, “Top Gun: Maverick” não é apenas um acerto, mas também melhor que seu antecessor!

Estrelado mais uma vez por Tom Cruise, e dirigido por Joseph Kosinski (que já trabalhou com o ator em “Oblivion“, de 2013), este segundo capítulo da saga aérea é ambientado nos dias atuais. Pete “Maverick” Mitchell (Cruise) trabalha agora como piloto de testes do governo, num programa de aeronaves experimentais. Contudo, o projeto está na iminência de ser cancelado para que sua verba seja redirecionada para drones, o “futuro” da aviação. Maverick até tenta evitar este infeliz destino, mas acaba se envolvendo num acidente que, por pouco, não acaba com sua carreira. Antes de ser considerado proibido de voar, ele é convocado para uma missão no programa Top Gun!

Imagem: Paramount Pictures (divulgação)

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Graças às suas habilidades e experiência no ar, Pete foi escolhido para preparar uma turma formada pelos melhores pilotos da marinha para uma operação urgente, que tem como objetivo destruir uma usina de urânio vista como ameaça aos países membros da OTAN. Mesmo a contragosto, Maverick aceita a missão; porém, além dos desafios intrínsecos ao lado técnico da operação, ele descobre que um dos pilotos é Bradley ‘Rooster’ Bradshaw (Miles Teller), filho de seu ex-parceiro Goose. Agora, o veterano terá de enfrentar ao mesmo tempo os inimigos do presente e os fantasmas do passado.

Grandioso do começo ao fim, “Top Gun: Maverick” arrebata o espectador num voo nostálgico e emocionante, enquanto proporciona uma experiência cinematográfica de alto nível. Cada cena é muito bem filmada, especialmente as de ação capturadas com câmeras IMAX. O controle das lentes, unido à montagem dinâmica, resulta em sequências que preenchem a telona e os nossos olhos. Tudo é executado de maneira primorosa, e a escolha de utilizar aviões reais e praticamente nenhum CGI eleva a qualidade da produção como um todo. As cores, a fotografia, os planos… Não há nada do que reclamar! Ao longo de duas horas e 17 minutos, somos presenteados com a verdadeira definição de cinema!

Imagem: Paramount Pictures (divulgação)

Ainda no âmbito técnico, o espetáculo visual é acompanhado pela belíssima trilha sonora composta por Lorne Balfe, Harold Faltermeyer, Lady Gaga e Hans Zimmer. Precisa em todos os momentos, ela carrega em suas notas a alma do filme, embalando com maestria cada momento da trama; do mais dramático ao mais leve. Além disso, os hits dos anos 80 só tornam a experiência emocional ainda mais completa para a plateia! Aqui cabe também um comentário para “Hold My Hand“, música original de Gaga escolhida para ser o tema romântico da película. Embora não chegue perto da potência de “Take My Breath Away“, eternizada na voz de Berlin pelo primeiro filme, a nova faixa tem seu valor e se encaixa sem dificuldades no tom dessa nova história. Ela pode até não se tornar um hino como sua antecessora, mas cumpre sua função no filme e isso já é digno de aplausos.

Afiado e entrosado, o elenco é outro ponto positivo no longa. Ainda que hajam alguns personagens clichês, eles funcionam dentro da trama. Entre rostos novos e familiares, as atuações de Jennifer Connelly, Miles Teller e, obviamente, Tom Cruise, são as que mais se sobressaem na multidão! Ah, vale dizer que, apesar de curta, a participação de Val Kilmer é muito bem inserida no roteiro. Aliás, parte dos elogios direcionados aos atores deve-se também ao texto escrito por Ehren Kruger, Eric Warren Singer e Christopher McQuarrie, que souberam construir e desenvolver tais personagens e seus conflitos. Bastante equilibrado, o roteiro contém tensão, humor, drama, aventura e mais!

Imagem: Paramount Pictures (divulgação)

No comando dessa mega produção, temos a brilhante direção de Joseph Kosinski, que conduz com muito talento todos os aspectos do filme. É ele o responsável por propiciar um dos melhores clímax do cinema de blockbuster recente, por garantir um desenrolar suave e nada cansativo da narrativa, e pela grande execução dessa obra que, como dissemos no começo do texto, poderia dar errado como várias outras. Totalmente ciente de seu público-alvo, “Top Gun: Maverick” não tenta reinventar a roda, pelo contrário. O filme abraça a essência dos anos 80 e explora ao máximo o que deu certo em seu antecessor, o que culmina num material que, ao mesmo tempo, honra o passado e o legado da marca ‘Top Gun’ e amplia seu valor cultural. Em tempos onde a computação gráfica e as franquias de super-heróis dominam o cinema, este longa prova que nem sempre a tecnologia substitui o talento de pessoas reais em contar boas histórias.

NOTA: 9,5


Direção: Joseph Kosinski;
Duração: 2h17;
Gênero: ação, aventura;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Depois de mais de 30 anos de serviço como um dos principais aviadores da Marinha, Pete “Maverick” Mitchell está de volta, rompendo os limites como um piloto de testes corajoso. No mundo contemporâneo das guerras tecnológicas, Maverick enfrenta drones e prova que o fator humano ainda é essencial.

Trailer:

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