Extintos há, literalmente, milhões de anos, é de fato impressionante como os dinossauros continuam a despertar o fascínio nas pessoas até hoje. Essas criaturas, que dominaram nosso planeta no passado e hoje só podem ser encontradas em livros e museus, nunca interagiram com os seres humanos; o que sempre nos leva a imaginar como teria sido conviver com elas no mesmo tempo e espaço. Desde 1993, quando o primeiro “Jurassic Park” estreou nos cinemas, tal cenário hipotético é explorado, mas só em “Jurassic World: Domínio” que realmente temos noção de como seria este mundo compartilhado!

Conforme mostrado nas cenas finais de “Jurassic World: Reino Ameaçado” (2018), diversos dinos escaparam da Isla Nublar antes de sua destruição total, e agora vivem – e caçam – ao lado de seres humanos. Estes animais pré-históricos se estabeleceram em diferentes partes do globo, mas é preciso lembrar que nossa sociedade não foi construída ou preparada para viver em harmonia com eles! Por isso, o equilíbrio entre civilidade e caos está muito, mas muito prejudicado. Na tentativa de preservar os dinossauros e evitar a destruição das cidades, uma empresa privada gerenciada por Lewis Dodgson (Campbell Scott), e autorizada pelo governo, estuda e mantém várias espécies num santuário na Itália.

Imagem: Universal Pictures (divulgação)

Enquanto isso, Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) continua atuando como ativista e defensora dos dinossauros, já que muitos deles são vítimas de um mercado ilegal que os comercializa para diferentes fins. Ela mantém um relacionamento sério com Owen Grady (Chris Pratt), e juntos eles cuidam de Maisie Lockwood (Isabella Sermon), que ainda é procurada por ser um clone de sua mãe, Charlotte Lockwood. Os três vivem isolados numa cabana no meio da floresta, a qual abriga a velociraptor Blue, que agora é mamãe! Porém, a paz da “família” acaba quando caçadores descobrem o paradeiro de Maisie e do filhote de Blue, sequestrando-os. Agora, cabe a Owen e Claire resgatar os dois.

Paralela a esta situação, acompanhamos o retorno de Ellie Sattler (Laura Dern), que trabalha estudando os impactos dos dinossauros na agronomia mundial. Após uma fazenda ser atacada por gafanhotos jurássicos, ela é chamada para investigar a situação; mas para resolver o mistério que envolve a corporação de Dodgson, ela precisará da ajuda de um velho amigo: o doutor Alan Grant (Sam Neill)! Aos poucos, as tramas envolvendo o sequestro de Maisie e os gafanhotos se unem numa só, reunindo os personagens das duas trilogias numa aventura cheia de ação ao redor do mundo!

Imagem: Universal Pictures (divulgação)

Dirigido por Colin Trevorrow, “Jurassic World: Domínio” chega com a promessa de encerrar esta nova trilogia, iniciada em 2015 com “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” (também dirigido por Trevorrow). Contudo, apesar das altas expectativas, o que vemos na telona é uma aventura um tanto quanto repetitiva que não finaliza, de fato, este arco jurássico. Menos ousado que seu antecessor, o longa apela para o crossover de gerações e fanservices a fim de estabelecer um vínculo mais profundo com o público; ao passo que desenvolve uma trama inchada e tumultuada. Ao longo de quase duras horas e meia de projeção, o espectador é bombardeado com novas informações e personagens, como por exemplo a destemida piloto Kayla Watts (DeWanda Wise). Ainda que seja um acréscimo interessante ao universo da franquia, sua motivação para estar nela é fraca e pouco convincente.

O roteiro, escrito por Trevorrow ao lado de Emily Carmichael, não traz a profundidade necessária para algumas situações, tampouco explora o total potencial da presença dos dinossauros nos centros urbanos. Da metade do filme em diante, somos transportados para o santuário italiano dos animais, que mais se parece com um Jurassic Park sem grades. Além disso temos resoluções simplórias para alguns conflitos, momentos em que a suspensão de descrença fica abalada e pontas soltas no texto. No fim das contas, mesmo com um CGI satisfatório, uma trilha sonora afiada e algumas cenas de tirar o fôlego, “Jurassic World: Domínio” é uma experiência decepcionante, que se apoia na nostalgia e na paixão dos fãs por dinossauros para contar uma história genérica e esquecível.

NOTA: 6,5


Direção: Colin Trevorrow;
Duração: 2h26;
Gênero: aventura, ficção-científica;
Classificação Indicativa: 12 anos;
Sinopse: Jurassic World: Domínio acontece quatro anos após a destruição da Isla Nublar. Os dinossauros agora vivem – e caçam – ao lado de humanos em todo o mundo. Esse frágil equilíbrio remodelará o futuro e determinará, de uma vez por todas, se os seres humanos continuarão sendo os principais predadores em um planeta que agora compartilham com as criaturas mais temíveis da história.

Trailer:

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